Quarta-feira, Agosto 19, 2009

Se você vir o Buda subindo a estrada, mate-o.

Existe um volume de Lobo Solitário no qual Itto Ogami é contratado para matar um homem santo.

O motivo: o homem santo é muito respeitado, e isso não é bom pro senhor feudal.

Itto Ogami, se considerando um assassino, aceita a missão, vai até o homem santo, anuncia sua missão, ergue sua espada, e falha.

Inconformado, ajoelha-se perante o homem santo e anuncia que, uma vez que ele fracassou como assassino, ele vai ter que se matar. O homem santo intercede e explica que ele não conseguiu matá-lo porque ele não se tornou um assassino. Ele matou muita gente, mas era gente que respondia à ameaça da morte.

Ele não conseguiria matar o homem santo porque esse havia se tornado o vazio, e o assassino só conseguiria matar o vazio se se tornasse a morte e se esvaziasse também.

"Quando encontrar Buda, mate Buda" ele disse.

***

Estava conversando com alguns amigos meus recentemente, explicando que eu não tenho medo nenhum da pessoas que falam que têm vontade de matar alguém, que falam que se pegassem a namorada o chifrando eles matavam ela, que torturariam alguém que fizesse algo de ruim pra família deles.

O que me dá medo de verdade é o cara que, quando inquirido se teria coragem de matar alguém, dá de ombros e responde: "Ah, acho que sim."

Porque alguém que não se importa passou pelo maior impedimento.

***

Em geral, acreditamos que estamos prontos pra colocar nossas filosofias à prova.

O problema é que só é um teste quando a primeira coisa que passa pela nossa cabeça é: "Caralho, isso foi longe demais!"

Não antes. Não depois.

Até que é legal ter cicatrizes nos supercílios.

O difícil é perder um olho e não ligar.

Matar uma pessoa que reage é fácil. Quase instintivo. Agora, matar um santo, alguém que ficou grande demais, aí a gente começa a se perguntar se nos tornamos a morte.

***

Quais eram nossas propostas? O que defendíamos? Havia alguma coerência, ou brincávamos de força da natureza?

Então... socar um viadinho na balada é uma coisa... socar o seu amigo... alguém que você protegeria se pudesse... isso é outra, não é?

Comer uma mina é fácil... e comer a mina que você ama? É tão fácil assim?

Como é que a coisa fica quando a sirene começa a repetir "this is not a drill"?

***

Parte do texto é pra eu falar comigo mesmo: E aí: e a minha vida? Vai virar o quê?

Parte do texto é pra falar com o Stein: Eu já falei isso duas semanas atrás: você tem tudo o que precisa dentro de si pra superar qualquer merda. Tomou couro da vida o caralho, você tá aí, não tá?

E a última parte é pra deixar claro pra todo mundo: eu estou aqui. Só esperando vocês.


Quinta-feira, Agosto 13, 2009

Please, remind me of my history

1 anos antes...

Meu último post foi em 3 de julho de 2008. Não que isso signifique muito, já que eu mal escrevia naquela época. As coisas já não estavam bem para mim. Nesse ano eu fui pro inferno. Eu vi o diabo e tive medo. Muito medo. E eu fui perdendo coisa por coisa, até que nada mais sobrou.

Errado.

Eu sobrei.

1 ano depois.

Alguma coisa mudou? Essa é uma pergunta importante.

Mudou a partir de quando? Será que o que existia antes de 2008 acabou? Será que o que existiu em 2008 acabou? Será que quem eu sou em 2009 é diferente da pessoa que eu era em 2007, e diferente ou igual à pessoa que eu fui em 2008?

Acho que nunca foi uma proposta minha passar por essa vida intocado. Tudo bem que eu levei um couro da vida, mas esse tipo de coisa a gente não escolhe.

I left last year with my mind profoundly scorned by the pain and sorrow of a bitter life. I can only look back and cry, as my haunted past shall never leave me. I turn my back and remember that my iced heart will always be affected by that sequence of events. I can only close my eyes and pray for deliverance. And pay my respects to all people that was part f my life.

Que minhas cicatrizes nunca deixem que eu esqueça quem eu sou. Quem eu realmente sou. Porque cada nova cicatriz que aparece, é uma nova homenagem. Uma chance para que eu lembre que todos nós sangramos.

One man scorned and covered with scars still strove with his last ounce of courage to reach the unreachable stars; and the world will be better for this.” - Miguel de Cervantes