Domingo, Setembro 21, 2008

E Para o post nº 500...

Eu ia publicar o que eu publiquei no anarcoblog (é o que eu tenho feito em média, exceto quando o texto escapa do escopo do malandricus), mas acho que o post 500 do malandricus Bar & Vodka merece algo melhor.

A Malandricagem está em crise.

Sim, o post número 500 deveria ser sobre mais uma crise da Malandricagem, mas cansou.
Durante anos os Malandricus se reuniam para, num coletivo, vencer o mundo. Deixa Deus vir pra cima da gente, um tackleia, o outro limpa a bola e um terceiro parte pro try.

Ah, pra quem tá assistindo o jogo, o cara que fez o try é quem levou as glórias.

Mas nós sempre soubemos que, nos vestiários, uns parabenizavam os outros e agradeciam.

E o que mudou?

Ah, começamos a jogar menos... outros jogavam em outros clubes também... De repente, quem fazia o try esquecia de quem deu o tackle, ou falava ainda que o tackle foi alto e que a bola saiu melada, que o apoio demorou...

A gente joga como a gente treina. A gente luta como a gente treina.

Eu sei que todo mundo é sozinho (e ai de quem pensar que não). Sei que nós estamos sempre disponíveis aos outros, mesmo que ausentes.

É tipo o Batman do Adam West, saca? A gente fica na mansão, mas se o telefone vermelho tocar, a gente coloca as chuteiras e parte pro jogo.

O problema é que a gente joga como a gente treina. Se a gente treina mal, a gente joga mal.
Se a gente não treina, a gente não joga.

E sim, eu estou falando isso como uma crítica reservada a todos e como uma crítica não reservada a mim mesmo (afinal, vocês esquecem meus erros, ou não se lembram de todos... eu não).

O post 500 serve pra declarar abertamente um fato, que, pra mim, está no cerne da Malandricagem: Estou insatisfeito.

Meus 25 anos chegaram e eu não estou como eu gostaria. Engordei, não tenho meu AP, não tenho minha faixa preta, não me tornei tudo o que eu queria. Estou no meio de uma estrada cujo objetivo está a uma longa distância e é nitidamente visível, embora quase fora de alcance.

E o quase é o que nos mata.

Eu gostaria aqui de emitir um call to arms. Um gigantesco brado de revolta. Um desejo de colocar fogo no circo, só pra ver o mundo queimar.

Mas não sei se tenho ainda a autoridade para tal e confesso que se as coisas se resolvessem com um call to arms, nossa vida seria muito mais simples.

Ademais, não quero correr o risco de ver o call to arms ser abortado (fora que tenho um compromisso indeclinável esse sábado).

Porém, eu gostaria de falar aqui, torcendo para que os outros Malandricus ainda freqüentem esse bar, que estou disposto a aplicar meus melhores esforços para me tornar o ser humano que eu tenciono ser.

E o ser humano que eu tenciono ser tem amigos como vocês.

Sexta-feira, Setembro 19, 2008

Ranting.

Porque tem dias em que tudo o que você quer é falar mal.

Ok, eu admito que eu dirijo mal. Na verdade, é pior do que dirigir mal, eu sou imprudente. Eu gosto de assumir pequenos riscos. O tempo todo. Inclusive no trânsito.

E quando eu falo riscos, eu não estou falando de coisas possíveis para pessoas com enorme grau de habilidade e das quais eu sei ser capaz. Estou falando de coisas que eu não sei ser capaz.

Mas, ainda que eu seja imprudente, eu odeio meia roda.

Sabe aquele cara que pega duas faixas na rua? Que tem medo de aproveitar o espaço? Que tem medinho de ser assaltado em plena Avenida Paulista e fica a 15 metros de distância do carro da frente em todos os sinais?

Então, isso me irrita. Muito.

Trânsito é uma palavra auto-explicativa: Você quer sair de um lugar e chegar a outro. Quanto menor o tempo, melhor o trânsito. Então o senhor quer, por favor, aproveitar todos os CENTÍMETROS de trânsito que você tem?

"Ah, mas Que diferença faz se você chegar dois ou três minutos adiantado?"

A diferença é que a gente está falando de um sistema lógico com milhares (senão milhões de carros) As ruas médias foram feitas pra que três carros andem nelas lado a lado. Se você não usa uma faixa você simplesmente cria um estrangulamento de trânsito que, somado oas outros 48 meias-rodas atrás de você vai foder a vida de alguém.

Por isso que eu falo que uma solução pro mundo seria o retorno dos duelos até a morte (ou até um espancamento muito doloroso e vexatório, pelo menos). Se você corresse o risco de ser intensamente espancado você ia prestar muito mais atenção no que você faz.

Ô se ia.

Uma outra coisa que tem me incomodado muito ultimamente são pessoas. Algumas pessoas com as quais convivo.

Sabe, ultimamente eu venho fazendo as pazes com conceitos místico-religiosos.

Mérito da Pró-Vida.

Uma das coisas que eu aprendi (falo na primeira pessoa do singular porque são ensinamentos não codificados, conclusões às quais eu chego por vias difusas) é o conceito de "escapar pela tangente".

Vivemos para aprender. Todas as situações pelas quais passamos têm alguma coisa pra ensinar. Cabe a nós enxergar nossos erros, aprender, nos perdoar e seguir em frente.

E não, isso não é um processo fácil. Pessoalmente eu tenho MUITA dificuldade no "nos perdoar". E todo o resto também é importante: se falta UM desses elementos, o processo foi abortado. Enxergar os erros, aprender, perdoar e seguir em frente.

O problema é que se você não aprende você está condenado a repetir os mesmos erros, num círculo vicioso. Rodando em círculo cada vez mais rápido, sem ouvir o que está acontecendo ao seu redor, até o dia do Juízo Final, como se precisássemos que Jesus Cristo descesse na nossa frente pra apontar nossos erros.

Não, isso não é nada que tenham me falado. É uma do "The Second Coming" do Yeats:

The Second Coming

Turning and turning in the widening gyreThe falcon cannot hear the falconer;Things fall apart; the centre cannot hold;Mere anarchy is loosed upon the world,The blood-dimmed tide is loosed, and everywhereThe ceremony of innocence is drowned;The best lack all conviction, while the worstAre full of passionate intensity.
Surely some revelation is at hand;Surely the Second Coming is at hand.The Second Coming! Hardly are those words outWhen a vast image out of Spiritus MundiTroubles my sight: somewhere in sands of the desertA shape with lion body and the head of a man,A gaze blank and pitiless as the sun,Is moving its slow thighs, while all about itReel shadows of the indignant desert birds.The darkness drops again; but now I knowThat twenty centuries of stony sleepWere vexed to nightmare by a rocking cradle,And what rough beast, its hour come round at last,Slouches towards Bethlehem to be born?

E, bem... se você fosse condenado apenas e ficar vivendo um dia após o outro no seu inferno particular (lembram-se onde é o Inferno?), estaria tudo bem... o problema é que a história não se repete, a história rima: Os círculos ficam cada vez maiores e mais doloridos.

É como se a Vida (sim, com letra maiúscula mesmo) tivesse um sistema de incentivo: ela vai piorando as lições até você conseguir velocidade o suficiente pra vencer a força centrípeta do círculo vicioso e escapar pela tangente.

É uma visão de mundo um tanto quanto cruel porque coloca você como responsável por tudo o que acontece. Inclusive pelo Azar (letra maiúscula de novo). Mas o Malandricus Bar & Vodka já discutia isso antes.

Aprender isso te diferencia do resto da humanidade. Todos são marionetes de suas próprias vontades, agindo ignorantes de quem controla as cordinhas.

Quando você percebe isso você vê as cordinhas.

Sim, exato, só isso. Você continua sendo uma marionete, mas não tem mais o benefício da ignorância. Ou talvez tenha, se você fechar os olhos bem forte e começar a cantar lalalalalalalalala.

O legal de ver isso é que sua vida melhora. O ruim é que você sente uma vontade irrefreável de evangelizar o mundo (embora o conceito de você ser responsável pela sua vida não ser exatamente uma "Boa Nova").

Então, estou com um sério problema de paciência.

Não tenho saco de discutir e tentar demonstrar minhas teses.

"Ah, na minha opinião, isso aconteceu porque X".
"Ah, isso não tem nada a ver."
"Por que não?"
"Porque não. Você não sabe do que está falando."
"Por quê não sei?"
"Porque não."

Anos atrás eu insistiria: Por que não? Por que você não quer conversar? Por que você não quer discutir? Do que você está fugindo?

Hoje eu respondo:
"É, tem razão. Não sei mesmo. Desencana."

É. Eu desisti de tentar ajudar os outros. Eu não sou bom nisso. Me resigno à minha incompetência. Não rola.

É frustrante enxergar claramente um padrão e não poder fazer nada pra mudá-lo. Então, desisti.

Tipo: eu venho me redescobrindo recentemente. Re-conhecendo talvez seja o termo correto. E, de fato, eu sou um cara muito bom pra perceber. Eu realmente sei enxergar falhas. Eu sinto os erros. Essa é minha maior qualidade.

Uma nota, maestro: Percepção.

Acho que é mal de Virginiano.

O problema é que eu vejo as falhas, mas não consigo consertar. Se eu quiser, até consigo destruir, mas consertar? Sou uma negação, um zero à esquerda no campo do divisor: em se tratando de consertos, sou uma coisa ruim que tende ao infinito.

Então eu decidi desencanar de consertar coisas. Vou fazer só o que eu faço bem. Caosar.

I'm an agent of Caos.

Terça-feira, Setembro 16, 2008

Piada Pronta.

Algumas vezes eu gosto de morar nesse planeta.

Eu sei que via de regra as pessoas se sentem incomodadas com a matança de bebês foca, as guerras tribais na África, dor, sofrimento e crises de Fé. Diversas vezes as pessoas chegam a duvidar da existência de Deus.

Agora eu gostaria de falar: Deus existe, e tem um senso de humor filho-da-puta.

Para quem não sabe, está ocorrendo um puta dum incêncio no Mato Grosso do Sul, na área do Pantanal.

Antes que os alarmistas se manifestem, isso é razoavelmente normal naquela área: no período de secas (especialmente quando no ano anterior teve uma estação de chuvas muito intensa) é normal terem incêndios de causas completamente naturais.

A tese é simples: num ano chove demais, cresce muito capim, no ano seguinte esse muito capim vira muita palha e qualquer coisinha vira um incêndio enorme.

Isso é normal, natural, etc. e é até, de certa forma, algo bonitinho: equilíbrio entre vida e morte, ying e yang, etc e tal.

A questão é que até agora foram mais de 5.000 hectares, todos numa área Reserva Ecológica Particular de uma ONG.

Tipo: "Tive uma idéia! Vamos fazer uma ONG pra comprar uma área de Pantanal pra proteger e fazer nossa parte pela preservação do mundo!"

E a providencia divina decidiu jogar um único raio bem no meio da Ong.

Deus definitivamente tem um senso de humor doente.

E não se trata apenas do humor ativo, mas também do passivo, de permitir que os outros criem piadas prontas.

Cientistas criaram uma espécie de Joystick pra língua.

Agora você pensa... durante anos as pessoas usaram as mãos... agora poderão também usar as línguas! Vocês percebem quantas piadas de duplo sentido isso permite?

Tá, tá, tá... eu sei que essa descoberta traz inúmeros avanços pros tetraplégicos e que o Stephen Hawking deve estar dando pulos de alegria (Ha-Ha-Ha), mas eu aposto que antes de ser acessível para cadeiras de rodas vai estar accessível como um periférico USB pra sexo virtual.

Certeza.

Sábado, Setembro 13, 2008

Na pegada

De volta na pegada aqui estou eu, quer por uns três anos me esqueci de quem realmente eu era. Falando sério agora, a depressão é uma coisa tão peguenta e que corrói tanto que outro dia acordei me lembrando de um cheiro que eu não sabia bem do quê.

Juro. Acordei, fui para a cozinha dar comida para as gatas e lembrei de um cheiro. Tentei sentir, andei por uns 20 minutos pela casa toda e não senti. Mas me lembrava que era algo conhecido, extremamente próximo a ponto de ser confidente. Me sentei no computador, li, escrevi, tentando me lembrar do que era. E exatamente eu não me lembro até agora, só sei quando eu sentia e o que eu sentia.

Estava com meu joelho fodido e a perna com tala por 3 meses, acordava la pelas 10h da manhã em minha antiga casa, jogava com meus amigos e sentia isso. O chão de taco, sol batendo por uma janela fodida cheia de cupim. Sem rumo nenhum, havia a largado a faculdade por desgosto, perdido a namorada e com complicações o suficiente no trabalho pra não ter que voltar nunca mais. E sentia aquele cheiro.

Só que o pior já tinha passado, eu tinha muito o que planejar e executar. E o cheiro me acalmava. Talvez tudo aquilo fosse o sol batendo no chão com pedaços de madeira cheios de cera, talvez nunca tenha sido nada de especial, mas eu vou voltar pra lá e espero sentir isso novamente...

como senti hoje, no set de filmagem, trabalhando pra cacete esporadicamente, em outras horas conhecendo pessoas interessantes o suficiente para que possa escrever histórias. Cada uma com uma amargura e delicadeza de lascar, de ter me visto em papel ativo ou de vítima em cada uma delas, mas a cada lágrima que reclamam eu até me arrependo de arregaçar um canto de sorriso no rosto e pensar que entendo.

Quinta-feira, Setembro 11, 2008

THC, LHC, Big Bang e o Fim do Mundo.

Ok, ligaram a Máquina do Fim do Mundo, e o mundo não acabou.

Caralho... oito bilhões gastos pra construir uma máquina do fim do mundo e ela falha miseravelmente. Também, quem mandou construir na França. Se fosse no Japão aposto que iam conseguir acabar com o mundo com muito menos de quatro bilhões de euros. E de quebra o LHC ia ser duas vezes menor, fluorescente, e sincronizar om o Ipod. Ah, os japoneses e sua eficiência: fazem tudo que a gente faz, só que usando metade do tamanho.

Confesso que eu estava torcendo um pouquinho pelo buraco negro que acabasse com toda a miséria da existência. Tenta imaginar a situação: ET's chegam na Terra em alguns séculos e encontram o planeta poluído, zuado, radioativo, sem camada de ozônio, cheio de baratas evoluídas e descobrem que foi a espécie "dominante" do planeta que em cerca de 4 séculos (quatrocentos anos, ou 16 gerações, por baixo) envenenou o planeta de forma que não pôde mais sobreviver.

E mais: percebeu isso mas não conseguiu controlar seu próprio comportamento!

É tipo se matar com um cortador de unha, ou nunca mais ir no banheiro! Você VAI morrer, mas é pouco eficiente como forma de suicídio!

Agora se em alguns séculos ET's aparecem por aqui e descobrem que foi uma experiência científica que deu errado, eles ainda podem pensar na gente como uma espécie que tentou alcançar um conhecimento mais profundo e para o qual não estava preparado tecnicamente. Tipo uma caixa de Pandora.

Pessoalmente eu prefiro ser um idiota com consciência das limitações de seu conhecimento e que faz uma tentativa atrapalhada de abrir uma nova fronteira do conhecimento do que um imbecil que acha que tá tudo certo.

Mas sou só eu.

Por sinal, uma menina indiana se matou por causa da máquina do fim do mundo. Bom, pra ela a máquina foi um sucesso. O que me faz pensar que se a máquina do fim do mundo fosse um projeto de um cientista louco, ele deve estar se sentindo frustrado. "Muahahahaha! Minha máquina do fim do mundo foi ligada para acabar com toda a humanidade! Vejamos quanto sofrimento eu causei! Hum... Uma adolescente Indiana se matou. Eu causaria muito mais sentimentos negativos se simplesmente comesse a Gisele Bündchen. Pra não falar que meu tempo seria muito melhor aproveitado. Maldita máquina do fim do mundo."

Sério... Já pararam pra pensar que teve mais gente tentando (e conseguindo se matar) por causa do suicídio do Kurt Cobain que por causa da máquina do fim do mundo? Apocalipse por apocalipse, o Kurt Cobain fez muito mais estrago com muito menos dinheiro! Basta uma guitarra na mão e uma bala na cabeça!

Fora que um monte de entidade humanitária tentou impedir judicialmente que ligassem a máquina do fim do mundo. Cara... Eles acham que ALGUM juiz na face da Terra tava entendendo o que tá acontecendo? Tipo: "Seu juiz, eles vão pegar uma coisa muito pequena e jogar na direção de outra coisa muito pequena!"

"E...?"

"E isso pode acabar com o mundo!"

Nisso pensa o Juiz: "Se eu der essa liminar, e depois ela cair, a máquina for ligada e o mundo não acabar, vai todo mundo ri da minha cara... Por outro lado, se eu negar a liminar e o mundo não acabar, vão falar que eu decidi certo, o que vai pegar bem na minha promoção pra desembargador... Por outro lado, se o mundo acabar de verdade, ninguém vai me criticar mesmo..."

"NEGO A LIMINAR! Não existe verossimilhança da alegação a respaldar o pleito inicial! Cite-se a máquina do fim do mundo!"

Tinha que ser coisa de entidade humanitária. Só ONGzinha com consciência social não entende que hádron é hádron.

Na verdade, o meu projeto atual é dar um jeito de me esconder no meio do LHC e estar no meio da colisão atômica. Isso DEVE dar super-poderes! Até o nome já fica estiloso: O Capitão Hádron! (uon-uon-uon-uon)

A única coisa foda seria que TIPO de poderes você poderia ganhar: "Eu faço partículas subatômicas colidirem!"

"E...?"

"E nada, mas pra fins científicos isso pode nos levar à descoberta da partícula de Deus!"

"Ah, então você cria um ente que é onipotente, onipresente e onisciente pra obedecer seus comandos, tipo o Daileon do Jaspion?"

"Não, ela é só uma partícula que condensa a energia em massa para toda a matéria no universo!"

"(...) E...?"

Oito bilhões... nessas horas que queria ter levado a sério minha idéia de fazer facul de física. Será que os caras do LHC precisam de advogado? Eu toparia.

Além do mais, advogar pra máquina do fim do mundo deve ser mais emocionante que advogar pro Maluf!

Terça-feira, Setembro 09, 2008

Fábulas de Escopo.

Era uma vez uma mamãe Pato que havia botado dez ovinhos e cuidava deles zelosamente.

No seu devido tempo nove ovinhos racharam e de dentro deles saíram nove patinhos, exceto do último que demorou uma semana a mais para sair.

E do décimo ovo saiu um patinho feio.

Quando seus irmãos o viram pela primeira vez, caíram na gargalhada e começaram a pular e cantar:

"Quem é o patinho feio
Quem é o patinho feio
me diz, me diz quem é!
tem cara de mané!"

O Pobre Patinho feio nem sabia onde se esconder! Se pudesse, colava as casquinhas do ovo e voltava pra dentro!

E todos os dias era a mesma historinha: na hora do lanche roubavam seu lanchinho. Na hora de dormir puxavam seu cobertorzinho. Quando ele queria ficar sozinho ninguém deixava ele em paz.

Quando reclamava com a mamãe pato ela dizia que ele tinha que ter paciência porque ele era especial e seus irmãozinhos não entendiam isso.

As patinhas o achavam tão sensível... mas namoravam seus irmãozinhos.

E era tanta dor, mas tanta dor que o patinho feio decidiu fugir... fugir e nunca mais voltar!

E ele correu! Correu até suas patinhas cansarem, voou até suas asinhas tremerem e nadou até quase não conseguir mais!

E lá... sozinho no meio do nada, no frio e no escuro, ele olhou para o céu e pensou:

"Por quê? Por quê? Os outros patinhos fazem isso comigo? Eu só queria ser eu... só queria ser quietinho..."

E então, de trás dele uma voz forte e calma lhe disse:

"Porque você deixou. Porque respeito não se pede, se toma. Porque quem não é jogador é carta ou ficha!"

"Quem é você?" - perguntou o pequeno patinho feio.

"Se você quiser se tornar o Senhor de seu destino, se você quiser ter poder sobre a vida e a morte de seus inimigos, dê-me sua mão e faça um juramento de sangue de que você nunca mais permitirá que os outros lhe machuquem, e passe a me chamar de Mestre!"

Com os olhos ainda marejados, com as patinhas ainda doendo, com as asinhas ainda tremendo, o pequeno patinho feio se ergueu, ainda cambaleante e disse com a voz firme e decidida, pela primeira vez segura de si: "Por esse sangue que eu ora derrubo - e vez um corte em sua pequena mãozinha - eu juro que nunca mais vou permitir que os outros tomem o controle da minha vida. Mestre, tome-me como seu discípulo!"

No dia seguinte começou seu treinamento.

Todos os dias, mil barras, mil flexões e mil abdominais. O Patinho Feio fortaleceu seu corpo.

Todos os dias: no frio, no calor, com sede, com fome, com dor. O Patinho Feio fortaleceu seu espírito.

Todos os dias, aprendendo todas as artes da morte do engano e da manipulação. O Patinho Feio Fortaleceu sua mente.

O Patinho Feio aprendeu que para ser você mesmo você precisa primeiro ser melhor que seus inimigos.

Ao final de sete anos o Mestre o chamou: "Meu discípulo... Não há nada mais que eu possa lhe ensinar. Você se tornou tudo o que eu ensinei. Eu lhe ensinei o Poder de controlar sua própria vida. Há uma última coisa que eu preciso lhe ensinar."

"Diga-me, Mestre. Qual será seu último ensinamento?"

"Você sabe usar as artes da morte, do engano e da manipulação contra o alvo do seu ódio. Agora você precisa aprender a utilizá-las contra o alvo de sua afeição. Prepare-se!" - Assumiu a postura de combate.

O Patinho Feio, não entendia! Por que seu mestre lhe atacava? Ele não poderia nunca matar aquele que tudo lhe ensinara!

Um soco no estômago lhe tirou o ar.

"Não pense, sinta!" Gritou-lhe seu mestre!

Um chute no rosto o fez lacrimejar.

"Não aja, Reaja!" Esbravejou o Mestre.

Um giro de quadril o fez perder o equilíbrio.

"Você não é um Pato! Você é uma força da Natureza! Esvazie-se de ego! Torne-se vazio!" Disse seu mestre enquanto pulava no ar, descendo com uma voadora nas costas do Patinho Feio.

"Você SABE quem você é! Você SABE do que é feito! Você SABE para que treinou!" Disse o mestre, com voz de Rambo no seu último filme, enquanto arremessava o discípulo.

O Patinho Feio aterrissou duro no chão, com sangue escorrendo de suas feridas e lágrimas de seus olhos. Por que seu mestre lhe atacava? O Que ele queria?!

Soluçando e chorando o Patinho Feio gritou: "POR QUE?!?!"

"Porque todo mundo morre um dia, meu Discípulo. E faz parte da missão do Discípulo assassinar o Mestre."

O Patinho feio entendeu. Soergueu-se. Pediu licença a seu mestre e lavou-se no lago.

Retornou para onde caíra, limpo do sangue e das lágrimas que derramou. Pediu desculpas a seu mestre e perguntou-lhe:

"Pronto?"

Seu mestre acenou com a cabeça.

Naquele instante o mundo parou para ver o balé de morte e renascimento que se exibia às margens do rio e sob a luz das estrelas.

Uma coreografia de ataques e bloqueios. Avanços e esquivas. Como se cada movimento estivesse desenhado no desde a aurora do tempo, esperando para que aquelas duas forças da natureza os preenchessem.

A Vida e a Morte se regojizavam enquanto assistiam o preenchimento de um vazio há muito criado.

Eles não saberiam quando ou como, mas a luta acabara com o Mestre caído no chão.

O Patinho Feio se ajoelhou ao seu lado enquanto seu mestre lhe pediu para que endireitasse seu corpo.

"Discípulo... Para onde corre esse rio?"

"Para o Mar."

"E quando as ondas estouram na praia... pra onde elas vão?"

"Elas voltam para o mar."

"Meu discípulo... quero que você saiba que nossas vidas são como as ondas. Nascemos na calmaria, vivemos em movimento e desaparecemos em espuma e barulho, apenas para retornar para de onde viemos e nascer de novo. Quero que você saiba que... nessa vida... e nas próximas... eu serei sempre ao seu lado. Erga-se agora... e me ajude... com meu... seppukku. Erga sua Katana... Feche seu dedo mínimo... e com ele reconheça que tudo é transitório. Com seu dedo anular... reconheça que tudo nasce, cresce e se transforma. Com seu dedo médio entenda que tudo nasce, morre e alcança o Nirvana. Com o indicador... admita... que a verdadeira paz... só é alcançada abandonando o sofrimento. Com seu polegar, torne-se vazio... e aprenda que todo sofrimento advém do conflito... Namu."

Enquanto a Wakizashi de seu sensei abria os três cortes da sinceridade em seu abdômem, a Lâmina do Patinho Feio cumpria o Grande Corte do Bambu.

"Esplêndido." Disse o Cisne Negro antes de cair dividido em dois.

O Patinho Feio preparou o funeral de seu mestre. Cremou seu corpo e jogou as cinzas no rio, para que corressem para o mar. "Estranhamente apropriado, pensou."

Na noite seguinte, o Patinho Feio voltou para seu lar. Foi recebido com surpresa por todos. Todos diziam que ele estava diferente mas ninguém saberia dizer como.

Seus irmãos envelheceram desordenadamente.

E um a um, todos com intervalos de pelo menos um mês, morreram em estranhos acidentes.

E o Patinho Feio retornou para as montanhas, mas não antes sem falar para a Mamãe Pato: "Se você tem o poder para decidir, e se abstém, você também é culpada. Quanto sofrimento não teria sido evitado se você não tivesse se omitido, não?"

E o Patinho Feio teria vivido para sempre como uma força da Natureza em harmonia com o Caos, se uma noite ele não tivesse sido despertado de sua meditação pelo som de choro de um patinho que se lamentava e choramingava, questionando por que os outros patinhos eram tão cruéis.

E o Patinho Feio entendeu quem ele de fato se tornara. Era hora do Discípulo tomar o Lugar do Mestre.

"Porque você deixou. Porque respeito não se pede, se toma. Porque quem não é jogador é carta ou ficha!" - Disse o Patinho Feio.

"Quem é você?" - Perguntou o Patinho Chorão.

"Eu? - heh - Se você quiser se tornar o Senhor de seu destino, se você quiser ter poder sobre a vida e a morte de seus inimigos, dê-me sua mão e faça um juramento de sangue de que você nunca mais permitirá que os outros lhe machuquem, e passe a me chamar de Mestre!"

Terça-feira, Setembro 02, 2008

Happy Birthday Fuck You!

Um dia qualquer
como qualquer um
mais um ano de vida
mentira é menos um
happy birthday
fuck you

Happy birthday fuck you
Happy birthday fuck you
Happy birthday fuck you
Happy birthday fuck you

Aniversário pra que
se eu nao fiz por merecer
fui concebido porque
se eu nem queria nascer
happy birthday fuck you

Happy birthday fuck you
Happy birthday fuck you
Happy birthday fuck you
happy birthday fuck you

Porque hoje é seu dia
voce comprou, roubou
ou fez foi um emprestimo
Pode ficar com esse dia
Que eu fico com todos que
no ano me restam

Happy birthday, fuck you
Happy birthday fuck you
Happy birthday fuck you
Happy birthday fuck you
happy birthday fuck you

Um dia qualquer como
qualquer um
mais um ano de vida
mentira é menos um
happy birthday
fuck you

Eu não gosto muito de fazer aniversário.

Não confundam, por favor, com não gostar de envelhecer. São duas coisas completamente diferentes e, enquanto eu não goste de uma, a outra é razoávelmente agradável.

Eu envelheci bem até agora. Meu joelho esquerdo não concorda, mas ele não sabe de nada. He's Anarco's left dumb knee.

And I knee to no one.

Um inverno de cada vez fui melhorando o que eu conseguia. Obviamente tem um longo caminho pela frente...

Pelo visto eu vou precisar mesmo dos 147 anos que eu tô planejando viver.

Normalmente as retrospectivas vêm no final do ano... E são sobre um ano só.

Mas dessa vez quero deixar o texto fluir.

Pra mim, hoje, a grande verdade é que tudo muda.

Tudo é transitório.
Tudo nasce, cresce e se transforma.
Tudo nasce, morre e alcança o Nirvana.
A verdadeira paz só é alcançada abandonando todo o sofrimento.
Todo sofrimento vem do conflito.

As quatro primeiras frases são do Sutra de Lótus, pelo que me lembre. A última é uma adição minha formalizada após uma intervenção do Stein que me corrigiu quando eu disse que minha frase de que toda dor vem do conflito era só uma coisa pra comer várias gostosas e me fez ver que toda a dor de fato vem do conflito.

O problema é que o "Tudo é transitório" acaba gerando uma postura passiva na vida.

"Ah, se tudo é transitório, eu devo me recluir a uma caverna e me dedicar ao self improvement".

Associe isso à relativização da verdade e ao individualismo e teremos o que? Uma geração que fica centrada no próprio umbigo.

Confesso que por um tempo me perdi nesses devaneios.

Fui mais compreensivo que o recomendável. Com o mundo em geral.

Deixa acontecer. Deixa passar.

E, nesse aspecto, meus amigos, pequei.

Penitenziagite Penitenziagite.

Todos sabem que minha concepção de pecado é bem simples: Pecado é aquilo que te afasta da sua verdadeira natureza. E, na minha opinião, você deve descobrir sua verdadeira natureza através dos seus sentimentos.

E o que falar? Eu gostaria de dizer algo belo, que me fizesse comer várias mulheres gostosas. Mas eu não preciso falar coisas bonitas para comer mulheres gostosas.

E eu não preciso porque, por Deus! Todos sabem que toda mulher gostosa tem um namorado com cara de idiota e eu SEI que eu tenho cara de idiota! E nem Deus vai ser incapaz de me fazer unir a minha cara de idiota com a mulher gostosa que está lá fora, esperando por um idiota!

Porém, ante a convicção de que minha cara de idiota já vai me garantir sexo de alta qualidade, eu me preocuparei apenas com o essencial. Com a minha verdade:

Você existe no mundo. Nenhum homem é uma ilha. O sofrimento de todo ser humano me diminui.

Se você tem o Poder para mudar o mundo. Se você enxerga algo que considera errado, você tem o Dever para consigo mesmo de viver de acordo com suas palavras.

Não tenha medo algum perante seus inimigos. Seja corajoso e justo para que Deus te ame. Fale a verdade sempre, mesmo que isso te leve ao túmulo. Proteja os inocentes e não seja cruel.

Um homem que não transforma seus pensamentos em ações é uma sombra do que poderia ser.

Aquele que se omite perante uma injustiça é um covarde.

Com grandes poderes vem grandes responsabilidades.

E, a maior de todas as verdades: toda a seriedade se esvai quando você cita o Homem Aranha num post.

Desnecessário um post só sobre meu umbigo?

Sim, completamente... However, um post ruim é melhor que post nenhum.

And now... Let's introduce a little anarchy… upset the established order… and everything becomes chaos. I'm an agent of chaos.

O'malleys. Sábado dia 06/09.

Conto com vocês.