Quinta-feira, Junho 26, 2008
Military YMCA
Ok, a menos que você tenha passado as últimas 3 semanas em algum lugar do Tibet, ou na sua casa não pegue o maravilhoso programa da Gimenez, você deve estar sabendo que a viadagem está pegando forte nos quartéis do Brasil.
Já foram presos, soltos, presos de novo, fizeram um escarcéu, etc. Tanta coisa que a Gimenez já convocou uma série de especialistas para debater o tema, como por exemplo o McCréu, Leo Jaime, a Mulher-Alcachofra e outras subcelebridades...
Pra falar a verdade, isso não me impressionou muito mesmo. Aqui no Brasil, a carreira militar só é vantajosa pra quem gosta de macho mesmo.
Imagine só: um soldo de 300 contos, começo de carreira em lugares inóspitos, no meio da selva, sem equipamentos e sem perspectiva de guerra...
Não me assusta nem um pouco que os soldados procurem um pouco de ação pegando na pistola.
No fim das contas, é essa a saída: fazer que nem o coronel, entrar na corrupção passiva e aceitar um certo “favorecimento”.
Na minha opinião, toda essa história só reforça um estereótipo: homem de farda tem conta pendente na mercearia.
Isso mesmo. E nem adianta dizer que farda preta, que é coisa de macho que todo mundo sabe desde muito tempo as vantagens do pretinho básico.
Agora, sem dar risada do esforço hercúleo que alguns membros das forças armadas (favor não confundir com o “esforço das forças dos membros armados em alguns hercúleos), acho que nossas força militares ainda podem dar certo.
Bom, pelo menos é o que ta parecendo: nos últimos anos a Polícia Federal fez mais busca e apreensões, prisões e pose do que em todos os anos da minha vida.
Parece que a coisa ta indo pra frente, gente.
O único problema da Polícia Federal é o nome que eles dão pras operações: operação Pandora, operação Furacão (também operação Têmis), operação jardim da infância...
Na minha opinião, o melhor de todos os nomes já dados pela PF foi o da operação que investigava fraudes no INSS: Operação Zumbi e Operação Matusalém. Parece até zueira.
Na verdade, o tema religioso, sobrenatural e até mesmo típicos de filmes do Zé do Caixão são muitas vezes abordado pela PF: operação Hidra, Anaconda, Pandora, Medusa, Perseu, Fênix, Vampiro...
A PF tem até um lado mais descontraído com operações como a Fraude Zero, Catuaba, Setembro Negro, Feliz Ano Velho...
São todos nomes de operações, pode conferir.
Fala sério, queria muito esse emprego: dar nome para operações da PF.
Com certeza eu criaria nomes como Operação Tartufo (para investigar o subfaturamento das bolas de sorvete ao redor do Brasil), Operação Tatu no Cio (para investigar problemas com o buraco do Metrô em SP), Operação Jeremias (para investigar a adulteração de bebidas alcoólicas em baladas), etc.
Tanta coisa para fazer e tanto problema por ai, dava pra passar uma semana pensando em nomes engraçados. Tanto para fazer e tão pouco tempo.
No meu mundo ideal, a PF já só ia ter uma missão bem simples: Fechar o Congresso. Sério. Nada de bom sai de lá. E eu não falo isso com preconceitos de leigo não. Falo com uma certa propriedade de quem sabe que o Direito é mais do a “Rurgs puon que espõe a rerk twuturais”.
Eu adoro o Congresso. Cada dia que passa ele me impressiona mais com sua incrível capacidade de criar leis.
Primeiro eu não posso mais bater na minha mulher, agora eu não posso mais dirigir bêbado... Onde isso vai terminar, hein? Daqui a pouco a "técnica legislativa" vai ser tanta que se eu trocar as fraldas da minha filha vou acabar preso por pedofilia. Tolerância ZERO, galera.
Mas como eu disse no começo desse texto, ontem o Congresso me propiciou uma cena, no mínimo curiosa: evangélicos protestando contra a criminalização da homofobia. Cara, isso tudo é muito bizarro.
Mesmo assim, acho que o Executivo e o Judiciário poderiam continuar funcionando... Eu só ia exigir um psicotécnico pra presidente e um vestibulinho pra ministro de estado... Ah... A Utopia...
E no meu exercito quem ia comandar ia ser o Captain Jack:
Sexta-feira, Junho 20, 2008
Hamlet.
Ok, pra quem não sabe, estão encenando Hamlet na cidade.
Adivinhem com quem? Sim, com ele mesmo, com o Capitão Nascimento.
O Capitão Nascimento aparentemente preocupado com sua carreira como ator, e com o risco de ficar marcado como “o cara que representou o Wagner Moura” pro resto da vida decidiu apelar pra um clássico da dramaturgia mundial, Hamlet.
Sim, de fato, nada melhor que o papel mais famoso pra apagar a marca de indiferença que um papel de baixa expressividade como foi o papel de Wagner Moura.
Não bastasse, no entanto, o Hamlet ser representado pelo Capitão Nascimento, seu melhor amigo, Aspira Neto representará Horácio, para apagar a mácula de “Caio Junqueira” na sua vida profissional.
Na verdade, é algo plenamente compreensivo que o Capitão Nascimento tenha decidido encenar Hamlet, afinal, um príncipe tem três escolhas: Ou se corrompe, ou se omite, ou vai pra guerra. E Hamlet foi pra guerra.
Obviamente eu estou ansioso para ver a atuação.
“- Quem matou o Rei? Quem matou o Rei?
- Não sei, eu não sei...
- Não sabe? NÃO SABE?! Eu vou te falar quem matou o Rei! Quem matou o Rei foi Você! Foi Você, seu viado! Seu usurpador de MERDA! Sabe quantas pessoas tiveram que morrer pra você comer a minha mãe e colocar a coroa, seu merda?!
- Hã... uma?
- ...”
“- Ser ou não ser, eis a questão.
- ...
- Eu disse: Ser ou não ser, eis a questão.
- ...
- Responde, responde seu bobo da corte de merda! Qual a resposta! Ser ou não ser?! SER OU NÃO SER?! NÃO VAI COLABORAR?! NÃO VAI COLABORAR?! Ô Horácio, traz o saco!
- Capitão, pára... ele já tá morto... calma...”
“- Meu senhor, tenho de vós algumas lembranças que há muito tempo desejava devolver-vos. Peço agora que as recebais.
- CALA A BOCA, OFÉLIA! NÃO ABRE A BOCA PRA FALAR DA MINHA MISSÃO! EU SOU O HERDEIRO E QUEM MANDA AQUI SOU EU! OUVIU?!?! CALA A BOCA!”
Obviamente nem tudo são flores, uma vez que trilha sonora vai ser assinada por um dos barbudos do Loser Manos.
O problema é que a entrada é oitenta reais. Eu vou esperar sair o DVD pirata pra assistir.
Sábado, Junho 14, 2008
Há quem diga que o tempo seja medido em segundos.
Levando em conta isso, a noite seria muito bem um tempo medido a partir de uma fração de algo que não está presente, pois se basearam no sol para ter o ponto de partida da unidade de medida. Apenas literalmente ela mede o mesmo (12 horas) sem levarmos em consideração a variação do sol natural a cada linha diferente a partir do equador.
Eu não tenho levado em conta isso tudo. Apesar de ter relógios presentes quase que o tempo todo perto de mim (computador, telefone celular, relógios de rua, de amigos em volta) suas medidas se tornaram uma lembrança à sociedade em volta, e isso me torna diferente e um pouco arredio. Sinceramente, se existem pessoas que não se lembram exatamente do que jantaram na sexta-feira passada, eu não me lembro exatamente do que jantei nesta sexta-feira atual, por estar presente demais. Lembro muito bem da minha sexta passada.
Talvez eu ainda esteja comendo depois de horas, ainda digerindo a primeira garfada. E a digestão começa no corte da comida no prato, amiguinhos.
Me pergunto a cada momento se viver intensamente realmente é passar todas as suas batidas de coração rapidamente ou estender elas em segundos intermináveis. Normalmente as pessoas levam em conta essa infinidade de segundos entre uma batida e outra como uma tortura, algo que não passa, uma espera, mas nem sempre sabem o que estão esperando. Desesperadas pelo que vem pela frente...
Não vou medir mais a vida em dias e horas, vou medir do meu modo, e o tempo vai se acelerar esta semana para estar perto dos meus amigos, quando o dia solar cruzar em ritmo com minhas batidas sinceras e o tempo da noite que não é a-medido. Já estou com todos vocês completando mais um ciclo de existência criado por um ciclo solar que já não considero mais. Quero todos por perto quando completar mais anos solares pois me esforço ao máximo para que eles alcancem meus anos de vida real e de consideração a quem amo.
...não deixem que armadilhas e mata-burros da vida prendam os nossos pés... vivamos nosso tempo no tempo, tendo medo, coragem, sentindo falta e companhia. Ou algum maluco por aí vai contar nossas emoções em anos ou dias, e os idiotas em volta vão engolir.
Sexta-feira, Junho 06, 2008
Deixo a vida pra entrar na cova.
Uma das coisas mais assustadoras da vida, e porque a vida não foi feita para escritores, é o fato de que a vida não possui rascunhos.
São raras, poucas as vezes nas quais temos a chance de pensar no que vamos falar para a alguém. E mais raras ainda as vezes nas quais temos o poder de consertar o que falamos e fazemos.
Imagine, você num bar, olha pra uma mulher, linda, conversando com as amigas.
Você decide se aproximar e puxar papo. E faz uma escolha qualquer. Sei lá. Elogia o sapato dela, por exemplo.
E você nunca vai saber que aquele sapato foi presente do ex-namorado dela que, nesse exato instante está em Mongaguá com a ex-melhor amiga dela, transando como coelhinhos. E que ela sabe disso. E que indubitavelmente você acabou de disparar uma reação negativa nela.
Fosse você uma pessoa conhecida, talvez isso servisse como assunto. Mas não é. Vocês são dois estranhos numa noite suja, ou dois perdidos numa noite esquisita.
Perdeu. Pena. Dá espaço pro próximo que, possivelmente, vai utilizar a secular técnica de sedução desenvolvida pelo grande sedutor Don Ryan Gracie: El Mata Leones.
Porque algumas vezes você não disse nada de errado. Só disse algo que a pessoa não poderia ouvir.
Eu fico pensando se, por um breve momento você pudesse encontrar todas as pessoas que você já encontrou na sua vida, em um grande salão, com um pequeno microfone no qual você pudesse falar uma única palavra para todos.
E mais, que essa única palavra fosse a última coisa que você poderia falar pra qualquer um. Que fosse sua última palavra.
O que você diria?
Para fins ficcionais, admitamos uma frase.
Mas precisa ser uma frase normal, não uma de Saramago.
Isso me parece mais apropriado do que uma única palavra. Afinal, dificilmente dá pra se fazer entender com uma única palavra.
Se me dessem uma única palavra, provavelmente eu diria "Rosebud" e rolaria as escadas enquanto todos se perguntariam, perplexos: "De onde saiu essa escada?"
Mas uma única frase... Não saberia o que falar.
Imagino que um dos motivos pelo qual acreditam que o pouso do homem na lua foi montagem foi a frase do Armstrong: "um pequeno passo para um homem, um grande passo pra humanidade".
Fala sério, provavelmente ele levou a frase escrita já.
Se fosse eu, provavelmente as minhas palavras seriam: "CARAI, VÉI, eu tô na lua maluco!" ou algo de igual profundidade.
Nessas horas, em que nós paramos pra pensar no peso que têm as últimas palavras que você fala pra alguém, é que você dá valor pro planejamento, ou, pelo menos pro reconhecimento de um momento importante, de uma frase relevante, ou de uma grande verdade.
Se eu tivesse que escolher uma última coisa pra falar pra alguém, eu, invariavelmente, gostaria de falar uma verdade inquestionável. Algo que as pessoas pudessem levar pra vida como algo pra fazê-las pensar.
Na Itália, durante a alta idade média, era costume que os viajantes se despedissem com um "e se non ti vedró piú, buona morte".
Hoje em dia, consideraríamos extremamente de mau tom falar "olha... e se nunca mais nos virmos, que você tenha uma boa morte". Por outro lado, que todos nós morreremos é uma coisa certa... e se pode haver um desejo bom pra alguém é que, na hora da morte, a vida lhe seja leve.
Ou talvez seja melhor seguir a idéia do Rosebud mesmo.
Quinta-feira, Junho 05, 2008
Coisas Que eu Aprendi no Final de Semana e que gostaria de compartilhar com vocês.
É possível emular em um dojô uma situação de luta sem regras, dois contra um, luta com armas, etc.
O que não é possível emular em um dojô é o espaço geográfico da rua.
Em uma rua você tem obstáculos naturais que atrapalham muito um combate. Existem carros, postes, calçadas, escadas, árvores, trânsito, pessoas, etc.
Se você tem a possibilidade de usar a área a seu favor, você tem uma vantagem teórica. Mas isso demanda previsão e um grau de paranóia maior que o normal. Das duas uma, ou você aprende do jeito difícil, ou fica paranóico.
Outra coisa que eu descobri é que nocaute é uma coisa razoavelmente rara.
É difícil o nocaute sair se você não acertar (ou apanhar) no lugar certo. Em uma situação de esporte, um contra um, é mais fácil sair um nocaute que numa situação real, mesmo sem luvas. Na vida real você tem que se desconcentrar. Pensa no carro que tá na rua, nos adversários, na guarda, na defesa, no ataque.
No esporte você tem UM objetivo. Fazer pontos. É muito mais fácil.
Outra coisa importante, dessa vez, MUITO importante: a vida não é um RPG ou um vídeo-game.
E não estou me referindo à implicações morais e riscos aos quais você se sujeita. Estou falando apenas que não existe “barra de vida”.
Quando você toma um golpe, você não toma “hit points” de dano, que precisam ser curados e se você tomar várias porradas iguais você morre ou desmaia quando acabam os “hit points”.
O soco que nocauteia é UM soco. Se você bateu várias vezes em alguém (ou apanhou) isso não faz diferença. O que interessa é o golpe que derruba. O golpe perfeito.
Outra coisa: Um soco dado enquanto você recua é fraco. Não tem peso. Não causa dano.
Preciso desenvolver uma técnica de treinamento pra consertar isso. Trabalho de footwork, provavelmente.
Por fim: os treinamentos que eu fiz até hoje possuem um foco muito grande em defesa.
Isso tem um lado bom, inequivocamente: você não toma dano. Com o passar do tempo você aprende a esquivar, absorver, defender e minimizar os golpes tomados.
Mas não aprende a atacar.
Acho que é hora de eu começar a criar meu estilo.
Terça-feira, Junho 03, 2008
In Between Days
Eu realmente não acho que tenha sido um fator específico que fez com que eu parasse de escrever. Não acho que foi uma desavença específica, ou uma mudança pontual na minha vida, mas acho que uma conjunção de fatores, à la bola de neve.
Nesses últimos 2 meses eu tive de lidar com algumas mudanças de vida graves, com perda, com um novo lugar no mundo, com novas responsabilidades. Meu pai morreu e isso foi estranho. Estranho porque foi numa quinta feira qualquer, num mês nada a ver. Ele tava com a saúde ótima e dez minutos depois, um bilhão de coisas que nunca foram, nem serão, faladas. Fim.
Assumir-se na vida é um processo estranho. Eu tive de delimitar espaço e enfrentar umas barras traidoras. Estar sempre atento, com aquelas pessoas que você acha que só vão te ajudar, tentando te passar a perna a qualquer momento. Esse tipo de experiência muda um pouco as coisas.
Sabe, eu sempre gostei de filmes de espionagem. Com um monte de gostosas traiçoeiras e planos mirabolantes para dominar o mundo. Ocorre que a vida é muito menos inflada. As traiçoeiragens da vida são mesquinhas, e dominar o mundo, muitas vezes é tentar pegar para si aquele apê em Mongaguá.
Por isso hoje em dia estão em alta as séries como Burn Notice e filmes como a Trilogia Bourne. As pessoas querem soluções realistas para bater pessoas que elas vêem todo dia e já não agüentam mais.
De espiões, a super-heróis, devo confessar que meu papel nesse grande teatro ta mudando um pouco. Parece que eu saí de cena, depois de um grande monólogo. Acho que o público tava um pouco de saco cheio de mim. Estou entre temporadas. E, como um ex-big brother, parece que eu estou sumindo aos poucos...
E então a Malandricagem ficou um pouco pra trás. Estou mudando minha vida e minha intimidade ainda está em construção. Acho que depois de tanta coisa que andou me acontecendo, nem em reza eu tenho dado meu endereço. Por isso tudo, eu estive ausente.
Se por um lado minha vida tem sido estranha, por outro eu tento escapar para minha intimidade e fico aqui, com vergonha de escrever, numa terceira perspectiva, eu mudei muito. Tenho tomado bastante as rédeas da minha vida.
Sobre o Malandricus, acho difícil dar uma opinião. Eu não sei se o conceito inicial ainda vive. Nem sei se deveria viver, pra falar a verdade. Falar 5 anos sobre a mesma coisa é chato. Mudanças são necessárias. Só sei que, por agora, prefiro manter um mínimo de estabilidade na minha vida.
Às vezes eu só quero ficar tranquilo um pouco. Observar e me preparar para tempos melhores. Eu sempre escrevi para mim mesmo. Ultimamente, eu não quero ler. Então, não tem razão eu escrever. Tem?
Domingo, Junho 01, 2008
I'm Dancing With Myself.
Isso porque eu estou sozinho. E feliz.
Durante anos da minha vida eu treinei pra ser um artista marcial. Treinei para me diferenciar do resto da humanidade. E no transcorrer dos últimos meses tudo conspirava pra um crescente. Pra uma situação de violência física que ia ser justificativa e resultado de toda a minha vida.
Essa situação aconteceu hoje.
Eu entrei numa briga que eu não podia vencer. Lutei. E sobrevivi.
Fazendo um rápido retrospecto:
Existe uma ex-namorada. A Ísis. E peço desculpas por não seguir a política padrão de esconder nomes, mas, como eu disse, esse é um post atípico.
Hoje eu saí com ela. Ela, a prima dela e o namorado da prima dela. Fomos todos numa balada gls, no caso, o Santa Sara.
No transcorrer da balada, long story made short: s Ísis catou uma menina.
Agora entramos numa discussão que pode ser extremamente longa, mas pode ser resumida a um fato simples: eu não discrimino sexos, eu discrimino situações.
Por uma grande sincronicidade (e sim, eu me tornei um misticalóide que acredita em destino, magia e sincronicidades, como eu disse, esse é um post atípico), quando estávamos indo embora, a menina que a Ísis catou estava na porta.
Ela ficou olhando pra minha cara, naquele borderline entre de boa numas de “eu sou uma gostosa, fique feliz que eu catei a menina que você estava beijando” e “rá catei a menina”.
Tentem entender: eu deixei a situação fluir. Apontei o dedo na cara dela e falei: “Sai da minha frente, sua vagabunda!”
Bom, não é preciso um diploma de psicologia pra saber o fato: a vagabunda que eu estava xingando não era a aleatória, era a Ísis.
Nesse instante apareceram dois cavaleiros em armadura brilhante pra salvar a pobre donzela sapata e gostosa e eu, como bom agente do caos, como todo grande vilão, não dei passo atrás.
Gritei: “Vai comprar a briga da vagabunda?”
Ele deixou quieto. Segui meu caminho, ele começou a me xingar.
(perdoem a primeira pessoa do singular: esse é um post atípico.)
Subi a escada. Ele tentou me empurrar. Revidei. O segundo cavaleiro veio pra cima de mim. Soquei o saco dele. Os dois vieram pra cima de mim. Desci a escada de costas, defendendo os chutes. Quanto eu tava nos últimos quatro degraus, pulei d costas. Caí no chã defendendo.
Enquanto eles partiam pra cima de mim, eu fui recuando, dando finta de olho em um e socando a cara do outro.
Um. Dois. Três socos.
Recua, recua, recua. Bate num carro. Caralho, perdi o equilíbrio.
Esquiva rápida, defende o rosto. Soca de novo. Toma uma gravata.
Fodeu, tomei a gravata. Olha pro que tá na sua frente. Chute no saco, esquiva. Soca, soca, soca.
Defender não ganha luta.
Toma a rasteira. Cai no chão. Caralho. Você caiu no chão. Você morreu, Tarso! (desculpem a falta de Nick, mas esse é um texto atípico.)
NÃO! Você não morreu! Não desiste, protege a têmpora, protege a nuca, protege a cara, o nariz! Faz guarda, pernas nos joelhos, protege a cabeça! Sempre proteja a cabeça!
Separam a briga (ou seria melhor “massacre”?).
Termina. Eu levanto. Tem sangue na minha mão. Eu grito com todo meu pulmão:
“Caras, desculpas! E obrigado!”
Silêncio de “quê?”.
“Desculpas por ter estragado a noite de vocês. Obrigado por terem me dado o que eu quis durante tanto tempo!”
Obviamente eu falei tudo o que eu precisava falar pra Ísis. Que ela foi uma criança que acha que pode fazer o que quiser porque o mundo tem obrigação de aceitar todos os caprichos da “Princesinha Rosa”. (desculpas pela falta de sutileza, mas esse é um post atípico.)
A gostosinha que a Ísis catou, quando a Ísis falou com ela no pós showzinho (sim, essa é minha única vergonha. Ter dado showzinho na rua.) falou que nunca quereria nada com ela. Óbvio: quem ia querer algo com alguém que não respeita alguém que está com ela na balada?)
A Ísis disse que era recíproco. Verdade? Mentira imediata pra lidar com a rejeição? Who knows?
I don’t care.
A conversa deposi teve pouquíssimos fatos relevantes. Eu falei muito do que estava entalado na minha garganta faz tempo e, o que quer que seja, não precisa ser repetido aqui. Não vai acrescentar nada pra minha vida.
Os leitores que exerçam a imaginação.
No final, as únicas coisas relevantes:
Eu dei um passo adiante.
Eu estou sozinho porque o topo da montanha é um lugar difícil de chegar.
Eu quero gritar pro mundo inteiro: eu arranjei uma briga impossível de ganhar, e lutei o meu melhor!
Apanhei, me machuquei, sim, fato.
Mas eu tive um gostinho de uma coisa que a maioria de vocês só terá na hora da morte: REALIDADE.
E nesse aspecto eu agradeço à Ísis: Ela me deu tudo o que eu sempre quis: uma história bonita pra contar!
Sim, a culpa É dela. Não existe justificativa, amenização, ponderação.
A. CULPA. É. DELA.
Ela quis brincar com a vida e com os sentimentos dos outros.
A gostosinha era meramente uma aleatória.
Os dois caras eram meramente dois caras querendo impressionar uma gostosinha.
Eram todos atores de segunda numa peça de terceira.
E eu era o protagonista.
Eu tive o grande momento da minha vida. E fiz bonito.
**************************************************
Esse post é atípico por outra razão.
Nos últimos meses, por diversos motivos, o blog andou às moscas.
O Rípper não escrevia há tempos.
O Stein também ficou um tempo sem escrever. Em partes por um desentendimento que tivemos.
Eu mantive um razoável ritmo. “Mais pra tapar buraco que por outra coisa.”
O blog mudou. Fato.
A gente não escreve sobre nossas experiências da mesma forma. Nós mudamos.
Se nós mudamos, que mude o blog.
Que mude a cara do blog. Que mude o template. Que mude o endereço.
Mas aparentemente eu não podia mudar o template.
Bom, discutir isso, aqui, agora, é desnecessário.
Eu tenho meus argumentos. Pra mim certos. Stein tem os dele. Com certa razão.
O fato é que, se eu não tenho liberdade, se essa casa não é minha, se eu sou uma visita aqui, bem, hora de eu me comportar como uma visita, certo?
Amigos do Malandricus Bar & Vodka.
Por meio desse post, um post atípico, como eu disse, eu, Anarcoplayba, Paulo Tarso Rodrigues de Castro Vasconcellos, informo que estou, imediatamente, abrindo um novo blog, que atenderá no endereço provisório de HTTP://anarcoblog.wordpress.com.
Os textos do Malandricus foram devidamente importados pra lá, bem como outros textos de um antigo blog do qual eu fiz parte.
Não estranhem a falta de organização. Eu me mudei há pouco tempo, mas queria fazer um open house.
Praqueles que se preocupam, praqueles que se importam, não estou afirmando categoricamente que estou abandonando o MLDC. Mas estou, de fato, iniciando uma experiência nova. Tem coisas que ficarão apenas lá. Outras serão publicadas aqui também.
Se nós mudamos, que mude o blog. Um blog é um formato, não um fato.
Por ora, agradeço a todos pela atenção dispensada.
E, se não nos vermos mais, um bom dia, uma boa tarde, e uma boa noite.
Ou, si non vi vedró piu, buona morte!
