Sexta-feira, Abril 25, 2008

Bota pra Poder!

Um assunto que sempre me persegue é a questão do Poder na vida de uma pessoa.

Um dos melhores livros que eu li durante a faculdade foi "Quem é o Povo?", no qual um alemão qualquer (se não me falaha a memória) procura desvendar quem é aquele Povo ao qual a Constituição Federal se refere quando diz que todo poder emana do Povo e em nome dele deve ser exercido.

Mas esse texto não é sobre o Povo, é sobre Poder, e o que o livro traz de útil para esse post é o fato de que em alemão a palavra para "Poder" e para "Violência" é a mesma.

Isso ilustra muito bem o fato de que a maioria das pessoas identifica Poder com Violência o que, em minha opinião é um erro.

Violência é uma forma de Poder. Uma forma perigosa porque se você usar de Poder pra ir pra cama com uma mulher você pode ir pra cadeia pra virar mulherzinha na base do Poder dos outros presos.

Ainda assim, violência é uma forma de poder. Assim como o carisma, dinheiro, suborno, sedução, lábia, beleza, inteligência ou qualquer outra coisa ou habilidade que te permita controlar o resultado de determinado evento.

Poder é controle.

Se você tem o controle sobre o seu corpo, suas relações sociais, se você mantém o auto-controle, você está exercendo poder sobre sua vida.

Obviamente os vetores que determinam a resultante das relações de poder são os mais amplos possíveis. Imagine uma situação de agressão iminente: você pode brigar, subornar o agressor, conversar, subornar um guarda, correr mais rápido que o agressor. De qualquer forma você evitou o outcome ruim: apanhar.

Isso em si é motivo suficiente para mim para querer estar em pleno controle da minha vida: não me tornar mais uma vítima.

I've been there. I've done that.

Estar a fim de uma menina e não conseguir ficar com ela é muito ruim. Especialmente quando dois meses depois ela morre num acidente de carro.

A vida não manda flores, normalmente você tem que colhê-las.

Obviamente, se você esperar bastante tempo elas podem nascer sozinhas. Do seu cadáver depois que você morrer.

Malandricus sempre foi sobre self improvement. Por mais que nós neguemos e que afirmemos que estamos aqui só pra curtir, Malandricus sempre foi sobre melhorar. Sobre aprender com os erros. Sobre dar um passo adiante. E sobre estar no controle da própria vida.

Porque quem não é jogador é carta ou ficha.

Quinta-feira, Abril 17, 2008

24/7

Já percebeu como os seres humanos gostam de criar convenções?

Desde as maiores até as menores e mais inúteis delas.

Três refeições ao dia.

Por quê?

Inicialmente faria algum sentido: um bando de homos (aqueles animais primitivos que mal podem ser chamados de humanos, não os homossexuais) preparavam à noite a caça do dia. Se você não comesse, só no dia seguinte.

De alguns milênios atrás, isso pegou e ficou. Como um cachorro que dá três voltas antes de deitar.

Lembram-se das viagens de Gulliver? Afinal, qual o lado certo para se abrirem ovos?

E os finais de semana? Para descansar?

Ou um mês de férias por ano.

A ironia é que num estado mais natural de vida (por exemplo, alguns posseiros que vivem no meio do mato) isso não existe: a plantação tem que ser regada todos os dias, os animais alimentados. O descanso só é possível quando há acúmulo. Ou seja: só pode descansar quem trabalha mais do que precisa.

Mas esse texto não é sobre trabalho, é sobre descanso.

Um ser humano padrão (excetuam-se poucas pessoas que simplesmente não pensam nem se preocupam com a possibilidade/necessidade de trabalhar) trabalha o dia todo. Ou preenche um quarto a um terço do seu dia com alguma atividade "obrigatória": estudo, trabalho, etc.

Um terço pra dormir, um terço pra trabalhar... sobram oito horas por dia pra você fazer "o resto". E o resto inclui banho, comida, transporte, além de outros interesses e objetivos. Como fazer sexo ou, hipoteticamente, praticar um esporte ou ter um hobby.

O problema é que, ocasionalmente, seres humanos decidem dar um passo um pouco adiante. Sabe, não basta fazer sexo, tem que ser com a mulher que você quer.

Não basta praticar um esporte ou uma arte marcial. Você quer superar.

E sim, estou usando superar como um verbo intransitivo.

E quando você menos espera, você está em um leve nível de insanidade: das 168 horas da semana, 42 você dorme, 63 você trabalha, 20 você treina, 21 horas você come, e as outras 22 você usa pra tudo o que sobra: ler, ter vida social, tomar banho, fazer sexo, sair pra encher a cara e por aí vai.

Viver é um trabalho de período integral, 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Ocasionalmente você acaba invejando algumas pessoas que tem a possibilidade de misturar trabalho e prazer. Atores pornô e os Gracie, citando dois exemplos.

Mas é muito importante não confundir os Gracie com atores pornô.

O post está tosco, mas sabe como é... é difícil colocar mais profissões na semana.

Sexta-feira, Abril 11, 2008

You can’t get enough of what you don’t want.

Conhecimento inteligência e habilidade são os três pilares mentais de um ser humano.

Deixo a cultura propositadamente de lado porque cultura é um fato, não algo que possa ser aumentado. Cultura é algo espontâneo, conhecimento é planejado. Cultura não se compara. É até possível se modificar a cultura de um determinado povo... assim como é possível fazer com que as pessoas parem de transar sem camisinha: que dá, dá, mas é foda.

E o primeiro cara que colocar "literalmente" depois da frase "fazer as pessoas transarem sem camisinha é foda", por favor, pule da janela e tenha um pensamento feliz. Tenho certeza que você vai, no mínimo, ajudar as investigações do caso Isabela. Ou virar Peter Pan.

O problema é que desenvolver cada um dos três aspectos demanda tempo, como tudo na vida. E no final, a vida nada mais é que um intervalo de tempo entre nascimento e morte.

Some o fato de que sua vida não se resume ao seu cérebro, mas também tem corpo e coração, você tem pouco tempo... Especialmente porque você não sabe quanto tempo tem.

Eu me sinto um eterno insatisfeito. Eu queria jogar rugby; treinar jiu, tkd, hapki e sotai; ler Shakespeare e Pontes de Miranda; escrever um livro, escrever mais nesse blog, escrever mais músicas; jogar xadrez e praticar mergulho livre; advogar, fazer outras faculdades, mestrado e doutorado; levantar 150kg de supino, fazer 150 flexões em um minuto e meio e ter um índice de gordura corporal de 6%.

Mas não dá.

Eu até consigo treinar jiu, hapki, tkd e sotai... mas não consigo treinar rugby.

Nem xadrez, nem ler Pontes de Miranda, nem fazer outra facul, nem fazer o mestrado.

O tempo é um filho da puta, talvez porque o tempo seja filho da morte (uma vez que só faz sentido quando as coisas têm um fim).

E não interessa se você é um excelente enxadrista quando o que você quer é lutar boxe.

E o que é pior: aprender a jogar xadrez não vai significar nada pra alguém que quer ser um boxeur.

Se o seu problema é saudades de alguma coisa, muito de outra coisa não solucionar seu problema. Você nunca vai ficar satisfeito de uma coisa que você não quer.

You can't get enough of what you don't want.

Quarta-feira, Abril 09, 2008

Sobre Conhecimento, Habilidade e Inteligência.

Existem diversos assuntos que ficaram implícitos na história do blog, mas que nunca foram abertamente discutidos.

A dicotomia (ou tricotomia?) conhecimento x habilidade x inteligência é uma delas.

Cada vez mais eu me flagro como um utilitarista.

Uma das grandes brigas entre os economistas é na teoria do Valor.

Marx afirmava que o que dá valor à coisas é a quantidade de trabalho agregado à matéria prima. Quanto vale a água? Se você está na frente de um rio, nada. Se você está em casa e abre a torneira, aquela água vale exatamente o trabalho necessário para captá-la e encaná-la até você.

Essa concepção é intuitiva e, como ocorre com inúmeras concepções intuitivas, não guarda necessariamente relação alguma com a realidade.

Ok. Trabalho agrega valor. Então, por definição, um laptop vale muito mais que um copo de água, ok? Bom, não se você estiver no meio do deserto.

Os utilitaristas defendem que o valor de algo é intimamente ligado à utilidade que aquilo vai lhe trazer. Obviamente utilidade é um conceito subjetivo e que varia de pessoa para pessoa, além de ser plástico e mutável, sendo possível se agregar valor a alguma coisa a majorando ou diminuindo a utilidade que certo bem pode ter para alguém.

E note que por utilidade eu estou falando desde um laptop a um plugue anal do menino Jesus.

Dessa forma, caímos, inicialmente, na questão do conhecimento.

Conhecimento, primeiramente, não se confunde com inteligência. Eu definiria inteligência, de forma ampla, como a capacidade de criar raciocínios abstratamente. Se localizar sem um mapa, fazer contas sem precisar de lápis e papel, se colocar no lugar dos outros sem ter que passar pelas mesma situações seriam demonstrações de inteligências de vários tipos, que foram a coqueluche dos livros de auto-ajuda e que, por sorte, foram substituídos por uma avalanche de releituras de textos samurais, o que é bom porque a partir daí aprendemos que podemos resolver nossos problemas utilizando violência ou simplesmente cortando nossas barrigas com uma lâmina muito afiada.

Se inteligência é um potencial, primordialmente genético com um aspecto de desenvolvimento por exercício (a esse respeito, vide Freakonomics), o conhecimento é primordialmente adquirido. Se a inteligência lida com abstrações e analogias, o conhecimento apresenta fatos simples.

Porém, nem tudo se resume a inteligência e conhecimento. Infelizmente também há a habilidade, que nada mais é que a capacidade de aplicar em pouco tempo o conhecimento adaptado pela inteligência.

Inteligência é, por definição, fruto da sorte. Quem são seus pais e quanta proteína seu cérebro teve para se formar são fatos consumados. Portanto, pense duas vezes antes de ir pra cama com uma pessoa idiota.

Por outro lado, conhecimento é fruto de dedicação. Você tem um interesse, você o persegue.

Habilidade demanda disciplina. Requer um passo adiante quando todo mundo já está satisfeito.

Dentre os três, eu sempre aspirei à habilidade. Potência não é nada sem controle, assim como conhecimento e inteligência não são nada sem aplicação prática.

O problema acabe sendo que a busca da habilidade dificulta em muito a corrida pelo conhecimento... Especialmente à luz da semi-inteligência.

E esse foi mais um post da série: posts sem utilidade nenhuma, pra tapar buraco.

Terça-feira, Abril 01, 2008

Grandes Batalhas Campais que Nós Gostaríamos de Ver: Emos x Punks.

Bom dia amigos do Malandricus Bar & Vodka, estamos aqui para mais um cláááááássico das disputas ideológicas travadas em batalhas campais!

Hoje nós assistiremos uma batalha ansiosamente esperada e que já virou clássico: EMOS contra PUNKS!

A disputa promete ser acirrada, como dito anteriormente: Os Punks se encontram em baixo número, sem a chance de se reproduzir e treinar suas habilidades e entrosamento de batalhas campais.

Os Emos, por outro lado, se encontram no ápice da sua forma, sendo certo que não constituem uma maioria esmagadora unicamente em função da elevada taxa de suicídios.

Além disso, os Emos não se mostram uma coletividade muito eficiente. Podemos ouvir daqui os gritos de "Não fale assim comigo, você não sabe pelo que eu estou passando!", além de não podermos esquecer que aquelas franjas devem atrapalhar muito a visão.

Pelo visto será uma grande disputa entre a quantidade Emo e a impulsividade Punk!

Ah, mas como não poderia deixar de ser, temos que descobrir qual é o grande embate ideológico de hoje... Espera... Os Emos querem ser... ACEITOS PELA SOCIEDADE??? E os Punks estão putos porque... OS EMOS IMITAM SUA FORMA DE SE VESTIR?!?!?!

Peraí, ô produção, tem alguma coisa errada nisso aqui... Essa porra vai dar merda. Quem foi o idiota que escreveu essa merda? Pede pra sair e tira esse link do seu Orkut porque você não é Malandricus, você é MOLEQUE. E mais importante: porque caralho eu tô falando como o Capitão Nascimento?

Bom passado esse momento de inconformismo com algo obviamente idiota e impossível, como Emos querendo aceitação social e punks brigando por moda, passemos a narração da batalha.

Os Emos iniciam aproveitando seu grande número para dominar a melhor parcela do território e tentar ocupar a arena.

Os Punks, utilizando-se da vantagem da sua agressividade aproveitam os espaços pequenos e começam a tentar empurrar os Emos, tirando-os dos lugares nos quais a vantagem numérica não significa nada. Trata-se de uma releitura da estratégia Espartana na Batalha das Termópilas.

A estratégia Espartana parece funcionar muito bem para domínio de pequenos espaços fechados, mas logo os Emos se encontram em campo aberto, de forma que os Punks em seu pequeno número não conseguem mais avançar sem correr o risco de serem tragados pela massa Emo.

Nesse instante um empate técnico se forma, com os punks conseguindo manter os Emos intimidados utilizando-se de cintos com pesadas fivelas e projéteis apesar de seu menor número.

Agora, se os Emos conseguirem agüentar até o fim da adolescência, quando sua postura tristonha, passiva e, por que não dizer, levemente aviadada e pesadamente andrógina passar, os punks terão motivo para se preocupar. Esse equilíbrio instável pode a qualquer instante ser dissolvido por obra do destino ou do acaso... E é exatamente o que acontece quando um grupo de HARE KRISHNAS INVADE A ARENA TOCANDO TAMBORES E FLAUTAS E PEDINDO A PAZ MUNDIAL?!?!?!

E é assim, com um vergonhoso empate que a primeira batalha campal termina.


Ok.

Eu sei que não ficou tão bom assim. A idéia era começar com bloggers e floggers, mas eu tive que começar com isso.

E eu tive que começar com essa coisa idiota porque essa coisa idiota aconteceu mesmo.

Divirtam-se: