Segunda-feira, Março 24, 2008

Diabocracia.

A vida é feita de escolhas.

A todo instante decidimos como alocar nosso tempo e nossas moléculas e energia em tarefas ou em mero ócio.

Uma vida é boa quando fazemos as escolhas certas.

Obviamente escolher nunca é fácil. Escolher presume uma (ou mais perdas). Se não há perda, se não há preço, não é escolha.

As pessoas, na tentativa de perder menos, ganhar mais e encontrar conforto acabam tentando encontrar um paradigma objetivo para a escolha.

Teorias, racionalizações, religiões, inúmeras teses foram desenhadas para tentar dar um norte objetivo para o qual nossas escolhas deveriam migrar.

Já se perguntou por que os dez mandamentos foram escritos por Deus, e não por uma assembléia constituinte? Ou por que os pecados nunca foram decididos por maioria de votos? Ou por que quem entra no paraíso entra depois de ser julgado por um apóstolo, não por passar por um paredão de um Big Brother?

Ok, nada disso é uma verdade objetiva. São mitos. Mas mitos falam mais sobre nós do que gostaríamos.

Desde a Aurora da Humanidade tentamos criar paradigmas objetivos para nossas escolhas. E tais paradigmas, por mais injusto ou estranho que possa parecer, sempre foram absolutos. Desejar a mulher do próximo é um pecado, ainda que você esteja bêbado. E, sorry, não matarás é exatamente isso: não matarás, não "não matarás, exceto quando for para salvar a própria vida ou algum valor nobre e elevado".

Nesse aspecto esbarramos no grande problema da democracia: definir paradigmas objetivos de comportamento com base em uma maioria de votos. A democracia é muito boa pra dirigir grandes massas de forma organizada. E também serviu para executar Sócrates.

Na São Francisco, anos atrás, um professor disse que existiam dois tipos de democracia, aquela na qual o representante defende os interesses dos grupos que o elegeu e aquele no qual o representante, tomando a legitimidade que lhe foi dada, escolhe o que é melhor para o grupo.

Ou seja, no final, a escolha do representante só é tão válida quanto é válida a escolha dos que o elegeram. E isso é ótimo, exceto quando se trata de regimes totalitários com tendências de eugenia e massacre de minorias.

Por outro lado, o comportamento de grupo, da criação de uma identidade ampla e geral calcada em ideais e idéias fechadas em si como auto-referentes traz uma grande vantagem: as pessoas não perdem muito tempo elocubrando sobre o certo, o bom e o justo. Obviamente isso não te salva de crimes de guerra... Mas ninguém precisa ir pra guerra. É só se omitir ou se corromper.

Quaisquer que sejam nossas escolhas, Deus não é um democrata, e o que é certo é certo e o que é errado é errado.

E, bom... deus não é um democrata... e somos sua imagem e semelhança, não?

Terça-feira, Março 11, 2008

Malandricus por um mundo melhor: Uma Campanha pela Exclusão Digital.

O advento da internet causou profundas mudanças sociais e econômicas que impactaram o mundo e nos obrigaram a lidar com situações completamente novas e para as quais a humanidade ainda não encontrou respostas.

Mudanças sociais e econômicas é o caralho.

Isso é Malandricus Bar & Vodka, não uma redação pra FUVEST. Até onde eu sei, a internet está para a cultura assim como a bomba atômica está pra guerra: todo mundo sabe que existe, tem um potencial do caralho, mas continua tudo guardado e escondido num lugar que ninguém sabe direito onde é.

Em nota completamente independente, o Malandricus Bar & Vodka está para as metáforas assim como o Vítor Belfort está pra literatura francesa.

O fato é que a internet não nos fez trabalhar menos, não permitiu o livre intercâmbio de informações (sim, meu amigo, o seu bit torrent é crime: você é tão livre pra baixar CD’s quanto é livre pra comprar cocaína) e a única coisa que eu considero realmente um grande avanço é o fato de que agora você pode comprar livros, cd’s, e diversos objetos a um preço melhor no exterior que aqui no Brasil.

SE você tiver um cartão de crédito internacional.

Na prática, nosso uso da internet envolve 20% de trabalho, 30% spam e responder emails de utilidade duvidosa, etc.; 20% de diversão; 20% de utilidade e 10% de expectativa de utilidade.
Ou seja, a internet não solucionou todos os nossos problemas, e nos criou problemas novos. Todos falamos como é bom conversar com pessoas de todos os lugares do mundo, mas esquecemos que os idiotas não moram só no nosso bairro.

Por isso que o Malandricus Bar & Vodka, capitaneado pelo Rípper, lança aqui uma campanha pela Exclusão Digital!

XeGa dI XeNti IXcrEvENdu AxxIm.

Chega de foto de churrasco na laje no Orkut.

Chega de foto de gordinhas em piscinas de mil litros!

Chega de correntes pela salvação do pequeno Alexandre Washington, que ganhará dez centavos pagos pela Yahoo! pra cada cópia do email que você encaminhar!

Chega de powerpoints com fotos photoshopadas e chantagem emocional pra que você vá na missa!

Nós não temos que tirar carteira de motorista pra dirigir? Não temos que tirar OAB pra advogar? CRM pra exercer a medicina? Nada mais justo que fazer uma prova de acesso à internet!

A prova envolveria, basicamente, conhecimentos gerais sobre a língua portuguesa e senso de realidade.

Basicamente, os candidatos deveriam fazer uma prova de português, na qual seria feito um ditado com palavras como “exceção”, “absurdo”, “excepcional”, “inconsolável”, além de uma análise de fundamentos gramaticais da língua portuguesa.

Posteriormente, uma prova de senso de realidade poderia ser feita. Sabe, algo como distinguir possível de provável, razoável de desproporcional, e conceitos simples de coerência, contradição e lógica formal.

Eu sei que isso é um pensamento elitista e segregacional. Mas se democracia fosse algo bom, São Pedro seria mesário, não julgador.

Sábado, Março 08, 2008

Conversa de bar

O Malandricus – Bar & Vodka foi criado originalmente para ser um tipo de conversa de bar virtual, um conta casos entre amigos. O blog foi, então, concebido a base de assuntos light, ou ao menos amenos, como a mulher gostosa da vez, a última playboy, ou a gostosa da mesa do lado... Ou seja, assuntos masculinos.

Mas qual é o assunto de uma conversa de bar? Bom, isso varia. Varia do bar em que se está, do tempo em que se já está no bar, da companhia e, principalmente, da intimidade com que se tem do interlocutor.

No grau um de conversa, as pessoas discutem amenidades stricto sensu, ou seja, o último restaurante da moda, a última balada que abriu, o gosto musical, política e assuntos correlatos. Já no grau dois, a conversa passa a ser pessoal: o trabalho, a ficante, as experiências pessoas, a última viagem e assuntos ligados com os próprios interlocutores, mas sem focar nos problemas, nem chegar numa verdadeira intimidade.

O grau três começa a versar sobre os causos. Acontecimentos pessoais, muitas vezes ligadas a sexo, e que invariavelmente só podem ser entendidos depois que os graus um e dois já foram superados. Assim, no grau três discute-se a última investida sexual, a última bebedeira, a última trepada num banheiro químico e coisas assim.

O grau quatro exige intimidade. Verdadeira. Nesse grau você discute problemas, desilusões, a vida quando ela não é bonita e tretas pessoais. Aí entra a filosofia pessoal de cada um, sendo que as conversas muitas vezes chegam num patamar um tanto quanto metafísico. Nesse momento você espera compreensão e, se o interlocutor é um verdadeiro amigo, apoio incondicional.

O Malandricus começou como uma conversa de bar amena, mas como eu já disse, com o passar do tempo a conversa foi ficando mais íntima. Assim, os assuntos que eram light foram ficando de cunho mais pessoal.

Mesmo assim, mesmo ficando íntimo a gente não pode sair por aí falando da nossa intimidade, bruta. Assim, valendo por mim mesmo, muitas vezes eu tenho uma vontade grande de publicar várias coisas que acontecem comigo, mas simplesmente são pessoais demais para ficarem aí na internet. Eu acabo publicando essas histórias pessoais na forma de digressões filosóficas que são muito mais estéreis do que a história que as deram origem.

Se qualquer um de vocês que estão lendo isso aqui um dia quiserem discutir qualquer um dos meus textos antigos, eu vou ter o prazer de contar a verdadeira história por trás dele. Algumas dessas histórias sã engraçadas, outras tristes, algumas patéticas.

Por terem saído de acontecimentos reais, minhas digressões filosóficas não possuem uma verdadeira lógica entre si. Algumas delas, acredito, sejam até meio contraditórias. Isso porque eu nunca tive a pretensão de atingir nenhum nível de coerência. Na minha opinião, a consistência só é uma qualidade quando não se é maluco. A consistência leva a comportamentos tão saudáveis quanto o fundamentalismo, se é que vocês me entendem.

Outra característica importante a respeito de mim mesmo relaciona-se ao fato de eu ser extremamente racional e frio com relação a meus sentimentos e sentimentos alheios, apesar de respeitar profundamente o impacto deles. Explico: às vezes eu sei que estou chateado porque pessoa X falou Y de mim. Eu sei exatamente porque eu estou chateado, mas isso não me tira a possibilidade de estar chateado.

Num ponto de vista, eu entendo que nunca é bom tomar decisões precipitadas, e que as pessoas cometem erros. Ao mesmo tempo que eu tento diminuir meus erros, eu também tento aceitar que eu ainda vou cometer muitos erros. Eu só faço uma contabilidade e me dou uma certa liberdade, um leeway.

A minha perspectiva de vida atual e é completamente diferente daquilo que eu acreditava a uns 2 anos atrás e provavelmente ainda será bem diferente daquilo que eu acreditarei daqui uns outros 2 anos.

No fim das contas, conversa de bar e assim mesmo. Depende do bar, das pessoas, da intimidade e tudo mais. A gente aumenta, inventa e fala de um montão de coisa que só gostaria que tivesse acontecido. No fim das contas, todas as conversas de bar são fruto de ficção. Elas não tem nenhuma ligação direta com nenhum fato da realidade.

Qualquer coincidência é só isso mesmo, um coincidência.
Yeah, right.