Quinta-feira, Janeiro 31, 2008

O Teorema da Piscina de Bolinhas – Um Post à Moda Antiga.

No transcurso de minha vida venho me esforçando conscientemente para me tornar uma pessoa sábia e iluminada, capaz de encontrar a sabedoria nas coisas mais simples.

Dentro dessa missão divina que me foi incumbida desenvolvi a técnica de meditação do novo milênio que envolve, basicamente, 37 xícaras de café, internet e tempo contemplativo. O café vai abrir seus chacras (ui) de forma que toda a informação ai entrar de forma caótica em seu cérebro e permitir que você tenha um lapso de iluminação.

Recentemente encontrei essa tirinha.

A tirinha em si é muito boa, trata-se de uma tirinha feita por um matemático e que possui uma temática primordialmente nerd e um pouquinho de romance.

Pois bem, o autor levou a sério a idéia de montar uma piscina de bolinhas no quarto dele. Porque ele achou legal.

Dentre as fotos que ele postou no post acima linkado, existe uma da piscina de bolinhas com os cantos com cores específicas.

Segundo o autor, basicamente, para se obter esse resultado, tudo o que você tem que fazer é, ao invés de procurar as cores que você quer, apenas se livrar das que você não quer. Por uma questão lógica, dentro de um intervalo de tempo razoável, o seu canto da piscina tende a ser preenchido pelas cores que você quer.

Os fundamentos de tal estratégia são simples: em primeiro lugar, dado o ambiente caótico da piscina de bolinhas, conforme você retira uma bolinha da cor que você não quer, outra bolinha tomará aquele lugar. Essa bolinha pode ser de uma cor que você quer ou não. Se não for, é só se livrar dessa nova bolinha até que fique uma que você quer.

A estratégia oposta seria a de se procurar ativamente as cores que você quer. Porém isso envolve obviamente dois trabalhos: encontrar as cores e substituir as que você não quer pelas que você quer. Fora que encontrar as cores que você quer tende a ser mais trabalhoso.

Na vida nós estamos sujeitos a uma série de fatos, coisas e pessoas que, muitas vezes, não são aquilo que nós queremos para nós. Inclusive, é o sonho de muitos seres humanos construir algo maior e duradouro que faça alguma diferença na sociedade. Criar uma grande mudança é o sonho de muitos.

Em uma situação micro-cósmica, da mesma forma, tentamos construir nossa felicidade. Relacionamentos humanos, sociais, econômicos e tudo o mais.

Na tentativa de buscar a felicidade macro e micro-cósmica, nos deparamos com o mesmo paradoxo da piscina de bolinhas: podemos tentar construir algo substituindo algo que existe, ou apenas definir claramente o que não queremos.

Ou seja, você pode não ser capaz de construir algo que você quer... mas com certeza é capaz de destruir algo que você não quer.

Ou seja, da próxima vez que você estiver infeliz com algo que você acha que deve mudar, ao invés de tentar construir algo bom, destrua o que é ruim.

É mais rápido, mais fácil e mais divertido.

Foram necessários milhões de dólares e centenas de trabalhadores pra construir o World Trade Center. Precisaram de oito árabes pra destruir.

Terça-feira, Janeiro 29, 2008

O Fim do Limbo e o Começo do Carnaval

Quem lê o título desse texto deve logo pensar que se trata de uma grande metáfora sobre algo que passamos em nossas vidas. Algo do tipo: agora minha vida está finalmente se movimentando e eu já não estou mais na inércia... Mas não, esse é um post verdadeiramente teológico.

Para quem não sabe, na doutrina da igreja católica, o Limbo é o plano para o qual as almas das crianças não batizadas e as pessoas boas nascidas antes de Cristo vão depois que morrem. Na doutrina católica, o batismo liberta o ser humano do pecado original, sendo que aqueles que não são batizados não podem ir para o céu, uma vez que portadores desse tal pecado original. Só para sua referência, esse tal pecado é uma metáfora para o frango assado nervoso que sua mãe fez com seu pai, seja ele quem for, saiba você ou não.

Bom, ocorre que o Limbo não era lá um bom lugar. Chegaram até a apelidá-lo de mezzanino do inferno, vejam só. E pior ainda, ao contrário do purgatório, o Limbo não permitia às almas que pagassem seus pecados e, portanto, as pobres criancinhas tinham que ficar eternamente longe de Deus. O Papa do Mal, Bento XVI não gostou muito lá dessa coisa de Limbo e resolveu acabar com tudo. Vejam bem, o Papa Bento XVI convocou 30 teólogos e, ao fim da reunião, resolveu expedir um decreto acabando com o Limbo.Cara, o Papa destruiu um plano celestial na base da canetada!!!

A vantagem é que agora, quem antes ia pro Limbo, agora vai pro céu, batizado ou não.

Enquanto isso, na terra o Igreja católica pediu para o Ministério Público vedar a entrega gratuita de pílulas do dia seguinte no Carnaval de Pernambuco alegando que a pílula do dia seguinte, a camisinha e os outros meios contraceptivos são criação do capeta. Como solução, o Bispo de Olinda recomenda a abstinência e muita oração para acabar com esses desejos impuros.

Só não esperavam que o tiro saísse pela culatra: Se tomar a pílula do dia seguinte, não se preocupem! Teu filho já não vai mais para o Limbo, agora, por determinação do Papa, teu filho (um óvulo morto cheio de espermatozóides em volta) vai para o Céu, um lugar que, diz a propaganda, é muito melhor que a terra.

Enquanto isso, Bispo de Olinda,não me encha o saco. Nesse carnaval eu só quero frango assado nervoso. Que nem aquele que a senhoura sua mãe também um dia já fez. Boa sorte e feliz carnaval para os Malandricus de todo o Brasil.

Vai Brasil!

Sábado, Janeiro 26, 2008

A Sorte dos Irlandeses.

Última tentativa que quebrar meu writer's block.

Os malandricci, enquanto uma coletividade, sofreram influências de diversos meios artísticos, filosóficos e sociológicos.

Inúmeros são os entes que moldaram nosso caráter e que freqüentemente são aqui citados: Billy Idol, Sartre, Chuck Palanhiuck, Sylvia Saint, dentre outros.

Eu tenho inúmeros projetos para esse blog, dentre eles, o de escrever um post dedicado a cada uma das personalidades relevantes para nosso caráter.

Hoje eu quero falar de Dropkick Murphys.

DKM é uma banda de punk rock irlandês que está na estrada há vários anos e que provavelmente pode ser reconhecida pela grande maioria em função da trilha sonora do filme "The Departed", traduzido como "os Infiltrados".

Bem, a Irlanda é um país que eu de fato admiro.

E minha admiração se dá em função do fato de que eles tem: ruivas, guinness, ruivas, um padroeiro dos bêbados, ruivas, guinnes, rugby, guinness, ruivas, e uma ala de católicos radicais.

Cara... pára pra pensar: são católicos. Que se EXPLODEM! Isso é muito foda! Alem disso, no dia do padroeiro da Irlanda, eles enchem a cara! É como se no dia de Nossa Senhora de Aparecida a missa fosse open bar!

Pois bem, DKM não é irlandês diretamente, mas são descendentes. E colocam uma gaita de fole foda nas músicas.

As temáticas das músicas acabam girando ao redor de brigas de bar, companheirismo, e conflito no sentido de obstáculos a serem superados por seres humanos.

DKM, assim como matanza, se define como música pra cantar bêbado, em grupo e alto. Sing loud, sing proud.

DKM possuem frases memoráveis em suas músicas:

"United we stand, divided we fall, together we are what we can't be alone." (citando Churchil)

"You weren't the first to court me mister you won't be the last." ("Darcy" falando para Murphy em "Dirty Glass")

"Oh, I'm sure I wasn't honey, I know all about your past." (Murphy respondendo para Darcy em "Dirty Glass")

"Tonight my son, I'll heed the call, If you're to live, then I must fall." (Sobre se sacrificar para que alguém importante pra você vença).

"She thought she found a man, but she fell for the devil, an evil monster in disguise. Now I'll honor and obey, forever stay true to you, my Irish rose" (Upstarts and Broken Hearts, música que já rendeu um post tenso.)

Isso citando apenas pequenas frases que, pessoalmente, me tocam.

Dropkick Murphys é sobre ir pra balada, ou pra um bar, beber e brigar.

É Sobre se juntar com um bando de companheiros, encher a cara e cantar junto em voz alta.

É sobre lutar, cair e levantar.

É sobre heróis que não ganharam todas as lutas que lutaram, mas que lutaram todas as lutas que tiveram.

Malandricus ouvem Dropkick Murphys.

Terça-feira, Janeiro 22, 2008

Ei, Tio, tem um minuto pra me dar? Se eu juntar sessenta, consigo uma hora!

A Terra gira em torno do sol... A Lua gira em torno da Terra. A Terra gira sozinha.

Não morremos de velhice, mas sim de vertigem.

O tempo só faz sentido enquanto repetitivo. Enquanto monótono. E só há repetição quando há alguém para contar. O tempo foi inventado por alguém com um grande ataque de tédio.

Damos risadas dos tempos antigos. Das colheitas marcadas em luas. Dos anos medidos em primaveras. São reminiscências de um tempo antigo, cada vez menos repetidas.

E quando deixa de se repetir, deixa de ser tempo.

Abandonamos os planetas e estrelas e satélites e passamos a olhar para o mínimo. Contamos os segundos nas enésimas vibrações de um mineral sujeito a uma descarga elétrica, ou mesmo na demora do urânio virar chumbo. Largamos aquilo que está fora do nosso alcance em prol de um tempo mas palpável. Mais concreto. Mais no nosso poder. E rimos quando ouvimos falar em "luas", "primaveras" ou dias, como se tais repetições fossem imprecisas demais para nossas necessidades.

Que necessidades?

Precisamos mesmo de um ano bissexto a cada quatro anos, pra corrigir as horas que sobram?
Não podem me dar mais algumas horas de bebedeira no réveillon ao invés de me dar mais um dia em fevereiro?

Coisas diferentes pedem tempos diferentes. Dois minutos não são o suficiente pra preparar um miojo. Mas são uma eternidade pra quem está num ringue.

Uma semana não é a mesma quando contada por uma criança de seis anos a partir do dia 18 de dezembro.

Um namoro se conta em dias? Meses? Anos? Ou brigas?

Qual o amor maior? O que durou dois anos ou o que durou 100 brigas?

Um soldado conta o tempo em batalhas. O Amante conta o tempo em suas conquistas. O escritor conta o tempo em livros. O músico sente que o tempo tem seu próprio compasso.

E enquanto o mundo roda e se repete, os nós mudamos. Sendo as possibilidades finitas e sendo o tempo infinito, o mundo está condenado a se repetir.

E rodamos na face da terra, ao redor do sol e olhando pra lua, até batermos nosso derradeiro cartão. Aí nos perguntaremos o que fizemos, não quantas voltas demos ao redor do sol.

(Texto Publicado originalmente no Fanzine "Álcool com Açúcar" nº 1)

Quinta-feira, Janeiro 17, 2008

And the Escargot To...

Como todos os anos, é hora da premiação dos melhores do ano na opinião dos colaboradores do Malandricus Bar & Vodka.


Esse ano, sem preliminares, iremos direto ao que interessa:

Filme do Ano: Tropa de Elite. Votação Unânime.

Inegável o fenômeno. Capitão Nascimento, o Jack Bauer brasileiro, invadiu o inconsciente coletivo esse ano. Sr. 02, Aspira, Capitão Nascimento, Playboy com Consciência social e inúmeros outros personagens tornam esse filme um dos mais quotable já feitos. E ainda por cima é brasileiro... E o Capitão Nascimento trouxe um DJ novo da Nova Zelândia pro Brasil...

Livro do Ano: A possibilidade de uma ilha. Por Stein.

Provavelmente eu fui o único que li, mas o ano de 2007 não teve grandes lançamentos literários. Então vai um livro que foi lançado na gringa em 2006, mas só chegou por aqui em 2007. O livro de Michel Houellebecq conta a história de Daniel, um comediante que fez sua carreira fazendo interpretações grotescas de personagem baseados no preconceito de seu público. Na sua meia idade, Daniel passa a detestar a humanidade, e o riso, em particular, mas apesar de tudo não consegue parar de acreditar na louca possibilidade do amor. Mil anos depois, a guerra, seca e terremotos destruíram o mundo e o clone de Daniel, Daniel24 vive sozinho num mundo sem contato humano. Enquanto isso, lê a biografia de seu predecessor enquanto tenta reproduzir sentimentos de amor, sexo, dor e arrependimento.

Balada do Ano: Uma noite qualquer da Secrett. Por Anarco, Rípper e Stein.

Uma balada pelos velhos tempos, Stein, Anarco e Ripper numa balada nem tão boa assim (admitamos que a Secrett é uma merda), enxergando o mundo com outros olhos. E com óculos neozelandeses.

Menção Honrosa: Formatura do Stein

Potencialmente destruidora, a formatura foi mais uma reunião de amigos do que qualquer outra coisa. Até tudo apagar e o modo automático assumir, claro.

Bebida do Ano: Jaggermeister. Votos Vencidos: Stein (Absinto) e Reverendo (Whisky).

Jagger foi a bebida mais consumida pelos membros do Bar durante o ano, tanto em número de garrafas (algo em torno de meia dúzia) quanto em baladas (menção honrosa para o porre de Jágger do Rípper).


Melhor Seriado: Heroes.

Não vi, mas TODO MUNDO tá falando disso.

Podcast do Ano: Comedy Central.com

Ask a Ninja Ganhou o prêmio do You Tube, mas Comedy Central.com é mais coerente: Trata-se de um podcast de stand-up comedians. Permite que você roube piadas e performances para utilizar em relacionamentos sociais.

Revelação do ano: Fracasso no Reveillon.

Não vou entrar em detalhes, mas dói surpreendente.

Musa do Ano: Cheryl Darling (Rose MacGowan), a musa do filme Grind House (traduzido como Planeta Terror).

Ela é uma stripper. Ela é gostosa. Ela é sexy. Ela é sensual. Ela tem uma M-16 no lugar de uma perna. O que mais um homem poderia querer?

Homem do ano: Wagner Moura.

O cara acertou na loteria e é o maior responsável pelo sucesso de Tropa de Elite. Dois papéis que estouraram de tanto sucesso, com aquela cara de nerd, hippie pé sujo. Pelo menos é um ótimo ator.

Comida do Ano: Tex-Mex. Voto Vencido: Stein (Comida Tailandesa)

A Culinária Tex-Mex chegou com muita força ano que passou. Diversos restaurantes abriram com a proposta de oferecer uma comida boa e barata. Pode não ser a melhor comida, mas indubitavelmente foi a mais consumida em termos relativos.

Segunda-feira, Janeiro 07, 2008

Um ano 9

Bom, eu estou devendo ao menos duas grandes retrospectivas. Uma sobre o ano de 2007 e outra sobre o fim da minha faculdade. Também devo estar devendo uma retrospectiva sobre os dois últimos anos, que devem ser somados para uma full picture que valha a pena.

Retrospectivas são como conselhos. Uma ótima maneira de se reciclar o passado e fazer com que ele valha mais do que realmente vale. Mas, sem dúvida nenhuma retrospectivas são também ótimas maneiras de se lembrar, odiar e amar tudo o que se aprendeu num determinado período de tempo. É isso que eu vou tentar fazer.

2007 me colocou na berlinda. Recém chegado de um outro mundo eu tive que descobrir porque eu voltei. Vejam, eu tinha acabado de voltar de um ano fora, viajado por trocentos lugares diferentes, visitados templos agitados e praias tranqüilas (e vice-versa) e de certa forma, e de uma hora para outra, eu estava de volta na mesma casa, convivendo com as mesmas pessoas, mesmo grupo de amigos e mesmas oportunidades. Agora, difícil foi engolir que depois de tudo aquilo que eu tinha vivido eu poderia voltar para a mesma vida de antes.

Não dá.

Eu tinha uma frase que eu costumava falar que era mais ou menos assim (deve estar no Malandricus até): o mundo dá voltas, pára no mesmo lugar, mas você nunca mais é o mesmo. É como a pele cicatrizada. Primeiro tem o machucado, depois o ferimento sara, mas a cicatriz é permanente. Pode ser pequena, pode não atrapalhar, mas está lá; a sua pele nunca mais será a mesma. Mas como toda cicatriz tem lá o seu charme, e como toda experiência por pior que seja tem seu valor, eu voltei ao Brasil com a dúvida: seria possível voltar a ser e fazer as coisas que eu era/fazia?

Pra essa pergunta não existe resposta. Por mais que possivelmente eu pudesse voltar a ter a mesma rotina que eu tinha em 2005, eu não sei se poderia voltar a ser a mesma pessoa de 2005 e, o mais importante, será que eu quero ser a mesma pessoa de 2005? Demorou uns 3 meses para eu entender que não. Talvez em 2005 eu fosse mais eficiente para fazer ou deixar de fazer certas coisas, tipo pegar mulheres randômicas e feias na balada, e hoje eu não seja mais tão bom em fazer isso. Talvez eu me contentasse mais fácil em 2005, mas aumentar minhas expectativas é algo bom, não ruim.

Foda-se, deixemos de ser tão abstratos.

Em 2007 eu me dispus a fazer mais do que meu corpo, mente e alma agüentavam, e eu paguei por isso. Eu me dispus a terminar com tudo aquilo que tinha pontos soltos, finalizar tudo aquilo que eu tinha por fazer, pedir desculpas por tudo aquilo que eu precisava pedir. Eu decidi terminar a faculdade, mesmo que para isso eu não pudesse trabalhar. Decidi terminar relacionamentos suspensos, mesmo que para isso eu perdesse uma foda garantida. Eu decidi pedir desculpas, mesmo que para isso eu tivesse que admitir erros que para mim não fui eu que cometi.

2007 foi o ano da catarse.

Eu efetivamente fiz dois anos de faculdade em 2007. O 4° e o 5° ano juntos. É claro que para isso eu tive de abdicar de todo o resto da minha vida, não pude trabalhar, fazer exercícios, perdi forma física, perdi tempo, dinheiro, baladas e sexo. No fim das contas eu perdi até minha barba, que começou a cair, segundo meu médico, por causa do excesso do stress que eu estava passando.

Bom, com alguns buracos redondos na barba, eu fechei o ano desempregado, sem profissão, um bacharel de direito sem OAB, já que esta foi adiada. Não sou graduando, mestrando, advogado, não sou nada. Ainda bem. Tenho a plena convicção que meu tempo de universidade acabou, e que é melhor não ser nada, do que ser algo que já não significa mais nada. Fim de uma grande fase que vai ganhar outra retrospectiva, quando a ficha cair.

Em 2007 eu também pedi bastantes desculpas. Algumas indevidas, admito. Mas fiz para limpar meu Karma. Algumas dores que se sente não têm causa ou causadores, mas doem do mesmo jeito. Algumas vezes é preciso assumir um pecado alheio para ser perdoado. Às vezes você próprio não admite que errou. Na melhor das hipóteses, eu coloquei tudo junto, dilui a culpa entre todas e pedi perdão pela massa, o que de certa forma atenuou um pouco de cada. Life goes on.

2007 foi um ano difícil, mas foi um ano bom. Foi um ano em que eu me ferrei bastante, mas aprendi muito. Eu só consegui me formar nos últimos 3 segundos que restavam, mas me formei. Eu tive dengue, mas me curei. Eu perdi muita coisa, mas também ganhei. Eu falhei. Mas aprendi. Eu me permiti novas experiências e com isso, novas coisas aconteceram.

Se eu pegar cada coisa individualmente, os acontecimentos, as vitórias e as derrotas, 2007 foi um ano ruim. Mas não é assim que se mede a vida. A vida não é um monte de eventos desconexos, mas sim um intrincado quebra cabeça de segundos que se encaixam perfeitamente. O ano foi bom. 100%. De outra forma, ainda bem que o ano acabou. Não acho que eu agüentaria mais um mês de 2007. O ano deu o que tinha que dar.

Tem algumas boboseiras que se encaixam tão bem na nossa vida, que é difícil acreditar que não são verdadeiras. Acontece com o horóscopo, por exemplo. Por mais que a gente saiba que é tudo inventado, a gente precisa do horóscopo para falar da gente mesmo, das nossas características. Nessa mesma esteira, falaram para mim que 2007, na numerologia é um ano 9, que, ímpar, é um ano de transformação, mas por ser de número 9, significa que é um ano de fins. Um ano para acabar com as coisas.

Faz um enorme sentido para mim.

A numerologia está dizendo que 2008 é um ano 1, cheio de recomeços e reinícios, um ano de novas jornadas e novos aprendizados. A menos que em meu 2008 não aconteça nada, tenho certeza em dizer que 2008 será um ano de novos começos. Não tem nada de velho na minha vida para continuar. I flushed.

Quanto às baladas, relacionamentos, projects... Não sei dizer. O fim do ano foi bem propício, mas mesmo assim ainda arrisco pensar que o momento ainda está por vir. Acho que com os campos abertos, novas saídas e novas entradas, o meu jogo estará muito mais conciso e sólido. Acho que 2008 merece isso também. Acho que estou mais apto a identificar ao que me dedicar...

Feliz 2008. Eu, em 2008, quero desfrutar um pouco da paz que eu construí para mim em 2007. Essa foi a primeira virada que eu usei cueca branca. Ainda bem que quando eu entrei no ano ainda estava branca. Vocês sabem como é roupa de baixo branca. Sujeita aos menores dos inconvenientes. Como qualquer ano desses.