“Death doesn't affect the living because it has not happened yet. Death doesn't concern the dead because they have ceased to exist.”
Só entende a morte quem já enterrou alguém.
É engraçado porque eu quase morri tantas vezes, já passei por tantos apuros e nunca me afetou de jeito nenhum. Mas só a morte alheia é que te pega de jeito mesmo.
Eu também achava que a emoção da perda poderia ser emulada ou simulada em pensamento. Mas não dá. A perda de alguém é muito pior exatamente pelo fato de ser, assim, tão real.
Enquanto há vida, o homem invariavelmente se atém a um fiapo de esperança, algo surreal que te faz pensar que ainda há uma chance.
A morte, entretanto, traz a reflexão de que algumas coisas são, assim, tão... irreversíveis.
“Dead people look like so dead after they are dead”
Não dá para imaginar. E a maior parte das pessoas simplesmente não está nunca preparada para a morte de alguém.
Ser herdeiro é carregar um fardo que não se quer.
Se vocês tiverem essa escolha, ouçam meu conselho: nunca aceitem a incumbência de escolher o caixão de alguém. É como comprar roupa para mulher. Nenhum nunca vai servir direito.
“Dying is a very dull, dreary affair. And my advice to you is to have nothing whatever to do with it.”
A morte traz consigo uma obrigação para quem fica. Crescer. E digo obrigação, no sentido de ser um dever. Uma imposição. Quem fica não escolhe. Tem que virar adulto.
E, sinceramente, aquele que realmente vai sentir a falta é exatamente aquele que nunca via ter a chance de chorar. Não vai dar tempo.
Como um amigo que não é mais, o segredo é abandonar-se de pouquinho.
“It's no good trying to keep up old friendships. It's painful for both sides. The fact is, one grows out of people, and the only thing is to face it.”
Nesses últimos meses eu tive de crescer de verdade. E não tive qualquer escolha. Mas agora eu entendo várias coisas que seria mais feliz se não entendesse.
A vida não dá uma chance para a gente escolher. Nunca há uma boa hora. Toda hora é ruim para tomar no cu. Acreditem. A única escolha é levantar-se e gritar. Encarar a tempestade com força.
Nosso poder diante das Forças Maiores da vida são incompreensivelmente pequenos e grandes ao mesmo tempo. Pois, apesar de elas nos esmagarem com grande poder, nós podemos simplesmente continuar assim.
“Death comes to all. But great achievements build a monument.”
Bom, a gente não pode escolher os elementos da nossa vida. Mas a gente pode escolher como nóps vamos enfrentá-los.
A morte pode ser difícil, pode ser inevitável, mas também te dá forças.
O cara que sai de lá é um cara diferente. Como se outra vida tivesse começado.
Sem escolha, nós só podemos viver. Para todos há um momento em que devmos sair da cova para entrar na vida.
O Anarco perguntou qual seria a minha ultima frase antes de ir embora da vida. Acho que poderiam ser todas essas aí em cima.
Mas, no fim das contas, todas essas frases já foram faladas.
Acho que eu falaria simplesmente:
“Power Up”
E se eu pudesse eu apertava start e começava tudo de novo.
Quinta-feira, Julho 03, 2008
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1 comentários:
A morte não é uma menininha gótica gostosinha. Ela é uma puta. Ela é você cheirar uma carreira do melhor bagulho boliviano pra descobrir que é pó de mármore com veneno de rato. É um babaca armado numa balada. É um coração cobrando as drogas que você tomou na adolescência. É foder com a garota errada sem camisinha. A morte é sua inimiga.
É é a sua pior inimiga porque ela VAI vencer no final. Não interessa se você come todos os vegetais, toma vitaminas e corre três quilômetros por dia. Você vai morrer. Não interessa se seu carro é blindado, se você tem seguranças, se mora num bom bairro. Você VAI morrer. Não interessa se você é faixa preta de quarenta e oito artes marciais. Você vai morrer.
E é por isso que não se idealiza a morte. Que não se trata ela com simpatia. Que não se pensa nela como descanso. A morte não é descanso. Não é encontrar velhos amigos.
A morte é uma vagabunda que tem você nas mãos e vai passar o toda a sua vida te provocando.
Vai te fazer sangrar. Adoecer. Envelhecer.
Vai tomar seus amigos um a um. Vai tirar sua família. Vai tirar de você tudo que você tem. Porque ela tem poder.
E a única vingança que nós podemos ter é dar pra ela um trabalho difícil. Flertar com ela sempre que possível... e não deixar ela te pegar quando achou que ganhou. Só escapando da morte que a gente se sente vivo.
Dizem que devemos viver cada noite como se fosse a última. Nós fazemos isso sempre. Tanto é que quase foi a última noite várias vezes...
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