Sábado, Março 08, 2008

Conversa de bar

O Malandricus – Bar & Vodka foi criado originalmente para ser um tipo de conversa de bar virtual, um conta casos entre amigos. O blog foi, então, concebido a base de assuntos light, ou ao menos amenos, como a mulher gostosa da vez, a última playboy, ou a gostosa da mesa do lado... Ou seja, assuntos masculinos.

Mas qual é o assunto de uma conversa de bar? Bom, isso varia. Varia do bar em que se está, do tempo em que se já está no bar, da companhia e, principalmente, da intimidade com que se tem do interlocutor.

No grau um de conversa, as pessoas discutem amenidades stricto sensu, ou seja, o último restaurante da moda, a última balada que abriu, o gosto musical, política e assuntos correlatos. Já no grau dois, a conversa passa a ser pessoal: o trabalho, a ficante, as experiências pessoas, a última viagem e assuntos ligados com os próprios interlocutores, mas sem focar nos problemas, nem chegar numa verdadeira intimidade.

O grau três começa a versar sobre os causos. Acontecimentos pessoais, muitas vezes ligadas a sexo, e que invariavelmente só podem ser entendidos depois que os graus um e dois já foram superados. Assim, no grau três discute-se a última investida sexual, a última bebedeira, a última trepada num banheiro químico e coisas assim.

O grau quatro exige intimidade. Verdadeira. Nesse grau você discute problemas, desilusões, a vida quando ela não é bonita e tretas pessoais. Aí entra a filosofia pessoal de cada um, sendo que as conversas muitas vezes chegam num patamar um tanto quanto metafísico. Nesse momento você espera compreensão e, se o interlocutor é um verdadeiro amigo, apoio incondicional.

O Malandricus começou como uma conversa de bar amena, mas como eu já disse, com o passar do tempo a conversa foi ficando mais íntima. Assim, os assuntos que eram light foram ficando de cunho mais pessoal.

Mesmo assim, mesmo ficando íntimo a gente não pode sair por aí falando da nossa intimidade, bruta. Assim, valendo por mim mesmo, muitas vezes eu tenho uma vontade grande de publicar várias coisas que acontecem comigo, mas simplesmente são pessoais demais para ficarem aí na internet. Eu acabo publicando essas histórias pessoais na forma de digressões filosóficas que são muito mais estéreis do que a história que as deram origem.

Se qualquer um de vocês que estão lendo isso aqui um dia quiserem discutir qualquer um dos meus textos antigos, eu vou ter o prazer de contar a verdadeira história por trás dele. Algumas dessas histórias sã engraçadas, outras tristes, algumas patéticas.

Por terem saído de acontecimentos reais, minhas digressões filosóficas não possuem uma verdadeira lógica entre si. Algumas delas, acredito, sejam até meio contraditórias. Isso porque eu nunca tive a pretensão de atingir nenhum nível de coerência. Na minha opinião, a consistência só é uma qualidade quando não se é maluco. A consistência leva a comportamentos tão saudáveis quanto o fundamentalismo, se é que vocês me entendem.

Outra característica importante a respeito de mim mesmo relaciona-se ao fato de eu ser extremamente racional e frio com relação a meus sentimentos e sentimentos alheios, apesar de respeitar profundamente o impacto deles. Explico: às vezes eu sei que estou chateado porque pessoa X falou Y de mim. Eu sei exatamente porque eu estou chateado, mas isso não me tira a possibilidade de estar chateado.

Num ponto de vista, eu entendo que nunca é bom tomar decisões precipitadas, e que as pessoas cometem erros. Ao mesmo tempo que eu tento diminuir meus erros, eu também tento aceitar que eu ainda vou cometer muitos erros. Eu só faço uma contabilidade e me dou uma certa liberdade, um leeway.

A minha perspectiva de vida atual e é completamente diferente daquilo que eu acreditava a uns 2 anos atrás e provavelmente ainda será bem diferente daquilo que eu acreditarei daqui uns outros 2 anos.

No fim das contas, conversa de bar e assim mesmo. Depende do bar, das pessoas, da intimidade e tudo mais. A gente aumenta, inventa e fala de um montão de coisa que só gostaria que tivesse acontecido. No fim das contas, todas as conversas de bar são fruto de ficção. Elas não tem nenhuma ligação direta com nenhum fato da realidade.

Qualquer coincidência é só isso mesmo, um coincidência.
Yeah, right.

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