Eu adoraria ser uma daquelas pessoas que adora correr. Maratonas, corridas corporativas, corridas na praia, etc. Odeio todas elas. Não que eu seja sedentário. Isso eu evito a qualquer custo.
Não me venham com aquela conversa Zen de que correr é encontrar-se consigo mesmo. Eu nunca encontrei comigo mesmo correndo. No máximo pus minha língua pra fora. Correr é uma atividade chata, mas que traz um trilhão de benefícios para o corpo, de tal forma que vale a pena até. Desde que se corra por algum bom motivo.
Uma corrida pode significar tantas coisas. Como aquela corrida cinematográfica atrás de seu amor na beira da praia. Ou a corrida dentro de um hospital atrás de um parente acidentado. Ou mesmo a corrida para entregar um documento importante, antes que a Receita Federal feche. E correr para a linha do try então. Essa é a corrida mais difícil da vida de um jogador de Rugby.
Eu tenho uma mania meio besta de dar nome para as coisas que eu faço. Uma das coisas que eu dou nome é para os projetos que eu tenho na minha vida. Fácil assim, ó: eu to a fim de viajar para a Europa, eu crio o Projeto Velho Mundo; eu to a fim de pegar uma específica mina, eu crio o Projeto Coelha.
Dentro desses projetos, cada pequena ou grande atitude, cada chance que eu tenho de trazer o resultado mais pra perto de mim, eu chamo de “Run”. Isso porque meu técnico de Rugby da Nova Zelândia costumava chamar os jogs de “Run”. O campeonato era o objetivo final. Assim, cada treino, cada xaveco, cada tentativa... Cada uma, uma “run”. E o que importa nessa vida é somente uma “good run”.
Mas às vezes uma “good run” não é suficiente. Acho que quase nunca é. E você acaba com uma coleção de grandes corridas, mas nenhum resultado final. Uma coleção de grandes batalhas e péssimas guerras. Uma grande coleções de grandes inícios e nenhuma finalização.
Mas qual o segredo de transformar pequenos atos diários em uma grande conquista? Uns dizem que o que faz as coisas darem certo é um plano estruturado. Eu particularmente acredito que aquilo que transforma tudo é, e sempre será, um golpe. Um grande golpe.
É, no fim das contas, talvez correr faça bem para a alma mesmo.
Sábado, Fevereiro 23, 2008
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