Terça-feira, Dezembro 30, 2008

Retrospectiva de um ano que deixou um gosto de buceta mal-lavada na boca.

Porque 2007 foi o ano da rola.

Ok. AGORA é hora da retrospectiva, uma vez que eu viajo amanhã e pretendo voltar apenas no dia 05.

Não sei que horas termino de escrever esse post, mas acho que vai ser legal deixar ele fluir livre.

Estou indo passar o Reveillon em Cruzeiro. Provavelmente será uma festa miada. Dificilmente catarei mulheres gostosas (impossibilidade material - Cruzeiro é Zuado de mulher). Provavelmente não encherei a cara. Provavelmente não me divirtirei tanto.

Por que diabos então eu vou passar o Reveillon lá então?

Há onze anos eu passo o Reveillon com o Zé, a quem hoje eu chamo de meu maior amigo e meu amigo mais antigo. E todos os anos tudo se resume a uma questão bem simples: Não sei onde vai ser, não sei se vai ser bom, não sei nada. Mas vou estar do lado dele e ele vai estar do meu lado.

O Juremeiro deu uma zoada comigo, visto que o Juremeiro vai passar o Reveillon comendo cus em troca de Penicilina em Camboriú, mas não se trata do melhor programa. Se trata de um compromisso. Quem chegou antes leva. E o Zé chegou em 1997.

Isso me faz pensar em uma coisa interessante que eu ouvi esse mês: Fidelidade é algo a ser devotado à uma idéia, nunca a pessoas.

Se você devotar fidelidade a uma pessoa, essa pessoa muda e, mudando, deixa de existir. Sem objeto de fidelidade, acabou seu compromisso. Isso é uma ótima forma de se justificar (“Sabe, aleatória nº 36 que eu estou xavecando e sabe que eu namoro, a Minha Namorada mudou muito… nem parece a pessoa que eu conheci, por isso que eu estou fingindo que eu quero uma coisa séria com você e a chifrando loucamente.” - preciso retomar os discursos pré-fabricados).

Se fidelidade é a uma idéia, isso coloca a responsabilidade apenas nos seus ombros.

Desde 1997, quando eu conheço o Zé, a tônica dessa amizade sempre foi de uma competição enorme e saudável. Ele sempre foi melhor que eu em diversas coisas… e reconheceu superioridade em mim em outras. Citando uma frase no meio de uma balada na qual eu tinha catado 3 aleatórias, ele 5, e estávamos competindo:

“- Eu desisto, Zé. Você é melhor do que eu.”
“- Como assim, Paulo?” (Sim, ele é uma das poucas pessoas que me chama de Paulo.)
“- Desisto. Você cata mais mulher do que eu. Isso é um fato. Eu não consigo te superar. No máximo, conseguimos empatar!”
“- Olha… se me permite falar uma coisa… eu desisti faz tempo: Você é mais inteligente do que eu.”

Um dia depois do outro. Um passo após o outro. A gente foi melhorando.

Hoje eu viajo para passar o interior com ele porque ele vai assumir o cargo de Secretário do Meio Ambiente.

Kings to him!

Sabe… há alguns anos eu venho dando temas para os anos que se seguiriam. Projeto Um Só Coração. Projeto Corações e Mentes. Projeto Coração Mente e Espírito. Etc.

E irônicamente os projetos vêm se sucedendo com um belo grau de sucesso. Ano passado eu decidi que esse ano eu me dedicaria ao Espírito. Que me reaproximaria do Grande Mistério. E deu certo.

Me reaproximei. Fiz as pazes com a Religião.

Por sorte, estamos falando de uma aproximação da Religião que Liberta, não que Escraviza ou Entorpece. Não, não se trata do Ópio do Povo. Isso significa que eu vou ter que pensar sobre cada passo que eu dou. E também significa que não basta ir na missa todo domingo ou sacrificar uma galinha preta pra ir pro reino dos céus.

Mas quem foi que disse que a Vida era fácil?

E acho que é exatamente esse o ponto: a Vida não é fácil. Há três anos viemos tendo anos de merda. Sabe que eu começo meramente a achar que o nome disso é “Idade Adulta”?

Por exemplo, eu me mantive profissionalmente à deriva porque eu quis. Porque a carreira Jurídica têm coisas nojentas de você criar uma aparência nojenta pra convencer pessoas que valorizam uma aparência nojenta que você é um bom profissional. Ou de falar de obras de arte como um “investimento”. Ou de pensar na família da sua pretendente como um elemento relevante num casamento. Ou outras coisas que enojam.

E de coisas que enojam eu tenho nojo.

Mas essa fuga teve seu preço. Quatro anos de formado e nenhuma pós no currículo. E já era hora de ter uma pós no currículo.

Descobri há alguns meses que eu não posso beber demais ou fazer sexo por horas seguidas porque minhas costas doem demais. Sim, eu sei que é ridículo, mas meus discos vertebrais da lombar sofrem de encurtamento. Quando eu desidrato (álcool) ou faço movimentos exacerbados de quadril (sexo), eles inflamam.

Mas eu mereci isso também! Eu não alonguei quase nada durante a faculdade, tomava pouca água, bebia demais e não tinha uma postura correta! É óbvio que com os meu 1,95 de altura eu ia ter problemas!

Eu também não selecionei como devia as mulheres que eu tomei como namoradas.

Eu também me releguei ao segundo plano de diversas ocasiões.

Eu… Eu… Eu…

Posso reclamar AGORA que meus últimos anos foram uma merda?

ACHO que não. Meus erros me trouxeram onde estou.

PORÉM…

Seria um erro achar que tudo o que eu fiz nos últimos anos foi errado e que não teve conseqüências boas para nada. Um erro Craço (piada intencional).

Eu não me dediquei à carreira jurídica como deveria? Não… Mas me dediquei ao convívio humano extensa e intensamente. Conheci gente… Conheci mulheres… E sabe de uma coisa? Foi bom… E foi bom não só no sentido de gostoso. Foi também útil. Hoje em dia eu não preciso mais me preocupar com isso.

Eu tenho amigos sim.
Eu cato mulher sim.
Eu farei novos amigos sim.
Eu catarei mulheres sim.

Tradução: Eu não tenho mais ESSA preocupação. Esse medo de morrer sozinho eu não tenho mais.

“Pode me faltar o amor, mas disso eu até acho graça.”

Esse ano eu vi que meus atos fazem diferença SIM. Eu tenho a capacidade de atrair pessoas rumo a um objetivo maior. Eu tenho esse Poder e tenho que usá-lo sim para que eu e as pessoas que eu tomo como meus pares cresçamos. Quer seja numa mesa de bar, num almoço de natal ou num projeto profissional!

Eu quase morri algumas vezes. Tive a minha experiência de quase morte. Conheci gente. Superficial. Conheci gente profunda. Ok. Não conheci muita gente em networking. Perdi contato com uma caralhada de pessoas que poderiam algum dia me indicar clientes ou me garantir costas quentes. Mas sabe… conheci pessoas que fizeram de mim uma pessoa melhor.

E é esse o objetivo da Vida: Sair daqui uma pessoa melhor do que entramos, correto?

E sabe… acho que 2008 serviu pra isso. Pra mostrar que perder não é tão ruim assim. Pra mostrar que eu preciso amadurecer mais um pouco e colocar mais energia em coisas objetivas. Pra mostrar que a Vida podia ser bem melhor, e que se não é foi porque eu errei.

Mas a Vida podia ser bem melhor, e será. Ainda da tempo de compensar todo o tempo que eu dediquei a outras coisas e que hoje fazem parte de quem eu sou e, doravante, me servirão bem.
Creio que é hora de deixar de lado a fantasia de Ranger e tomar para mim o manto de Rei. (Porque citar O Senhor dos Anéis é sempre legal.)

E se em 2007 eu fiquei com um gosto de rola na boca por tanto me fuder. Em 2008 eu fiquei com um gosto de buceta mal-lavada. É ruim… mas vale pra lembrar que tem coisa melhor pela frente.

A colheita desse ano não foi muito boa… vamos começar a semear de novo.

E que venha 2000 inove! O Ano do Advogado!

Terça-feira, Dezembro 09, 2008

Triple Ho Project 2008.

Prezados Srs. (e Sras/Srtas/Sas/etc)

Como de costume, chegamos ao final do ano, como acontece em todo mês de dezembro desde a promulgação do Calendário Gregoriano.

Como algumas coisas inevitáveis (p.ex. a conjunção de Sirius com o cinturão de Orion) é hora de celebrar o renascimento, a esperança, o alcool e o sexo irrestrito e desenfreado com animais de pequeno porte.

Dentre as diversas formas de celebrar o natal, pensamos no sacrifício ritualístico de virgens. O problema é que não encontramos virgens. Ante a ausência de virgens, decidimos manter a tradição e celebrar o almoço de Natal Malandricus.

Esse ano o almoço de Natal Malandricus será na casa do Dreno, cujo endereço é esse logo abaixo, que foi substituído pelo meu email bloguístico para fins de segurança do Dreno: anarcoplayba@malandricus.com

Esse ano nós pretendemos colocar algumas inovações na ceia, como por exemplo, luz elétrica.

Como de costume, procuramos incentivar o sentimento de comunhão e divisão: vamos dividir o trabalho e os custos com vocês, de forma que sugerimos que vocês levem alguma coisa. Ou algum prato (por vocês preparado, preferencialmente) ou uma UCAC (Unidade de Consumo Alcoólico Coletivo).

O almoço (como de costume) está marcado para começar às 13:00 do dia 25 de dezembro.

Não é demais frisar que a Ceia de Natal Malandrica é o dia em nos reunimos com a família que nós escolhemos para celebrar o ano que passamos juntos (presencialmente ou não). A celebração “obrigatória” da ceia familiar tem sua função. A celebração por mera vontade possui outra função. A celebração deve sempre ser uma opção, nunca obrigatória. Nossas portas estarão abertas, como sempre a todos: amigos, amigas, namoradas e namorados. Se esse email chegou até você, acredite que você será bem vindo.

Abraços a todos.

Anarcoplayba,
A.k.A, Tarso.

Sábado, Novembro 22, 2008

Efeito Colateral.

Falemos de coisas amenas.

Já perceberam que alguns filmes mexem com a gente, mesmo sem ter muito motivo?
Acabei de assistir a “Colateral” pela terceira vez (na minha vida, não na minha noite) e eu não sei porque… mas me sinto… estranho.

Sobre o quê fala Colateral? Na prática é um filme de ação. Um filme de ação com uma fotografia excelente. Um filme de ação com uma história boa.

Sabe, esse é um dos momentos nos quais eu odeio ser eu mesmo e não ser capaz de falar: “Iiiiiiissaaaaa! O Tom Cruise sentou o dedo na galera!”

Colateral não é sobre o Tom Cruise sentando o dedo na galera.

E eu não sei falar sobre o que Colateral fala. Eu citaria sem medo a melhor cena do filme na minha opinião (a cena na qual Max decide que nada mais importa). E saberia falar que o Budismo do Vincent é foda (pra que se importar? Pras estrelas, nada importa mesmo…).

Mas por que esse filme me deixa triste? Não sei se saberia explicar. Talvez porque ainda no final, Vincent não se importe se ele vive ou morre, e é coerente até o fim. Talvez porque max se importe com Vincent, sendo coerente até o fim. Talvez porque ambos se vejam como antagonistas necessários em um drama humano.

Talvez seja admiração. Até o final eles foram coerentes com suas opiniões sobre o mundo e sobre a vida (com “v” minúsculo mesmo).

Sua coerência é seu escudo. Sua inteligência sua lança.



E agora estou em Brasília num quarto de hotel, me olhando no espelho enquanto escrevo. Na TV passa um filme ruim do Nicholas Cage e enquanto isso ao redor do mundo pessoas nascem e morrem. No somatório, o que está acontecendo?

O mundo está se tornando um pouquinho melhor ou um pouquinho pior? O otimista vê o copo meio cheio, o pessimista meio vazio… e eu?

Acho que não importa se o copo está meio cheio ou meio vazio… a pergunta é: “A água é boa?”
Se ela for… se for limpa… meio cheio ou meio vazio não faz muita diferença. Porque não se precisa de muita água pra germinar uma semente.

Sabe… acho que eu até gostaria de escrever mais… mas acho que melhor que isso, o post não fica.

Além disso… era pra falar de coisas amenas.

Sexta-feira, Novembro 07, 2008

Em Resumo.

You told me that your 20 years have gone by much too fast
And you've been hoping this year will be better than the last
You said you've been waging a war against the loneliest of nights
With the strongest drinks and longest lines, it's not that big of a surprise
That you're feeling more dead than aliveYou're feeling more dead than alive

So I'll let you know if you need
Somewhere to go
I'll be listening when you call
And I'll be there if you fall off
If you need someone to believe in you
I'll let you know I will

You said the hole in your head has gotten bigger than the hole that's in your chest
And you're stuck between the past and present tense
You said you've been waging a war against so many years of lies
With stronger drinks and longer lines, it's not that big of a surprise
That you're feeling more dead than alive
You're feeling more dead than alive

So I'll let you know if you need
Somewhere to goI'll be listening when you call
And I'll be there if you fall off
If you need someone to believe in you
I'll let you know
I willI'll let you know
I willI'll let you know I will

But sometimes you've gotta let it go!
Gotta let it go!

So this pen is starting to become
A pipe bomb and these songs
Have turned to anthems again
To everything that's changed and to everything that's gone away
Here's my condolences to the future I never met
It's gone and never coming back
It's not coming back
So don't hold onto your past

You've gotta let it go!
Gotta let it go!

'Cause friends leave as time fades away
The people and the places along the way
Without a doubt
Yeah screws fall in and screws they fall out

Tomorrow's gone up in smoke
And I wonder when I'm alone
Where did my convictions go?
So to everyone that's gone away
Or fades away or stays the same
Here's my apologies to the person that I used to be
Before I burned down every bridge and every inch
Of everything I used to know

I gotta let it go!Gotta let it go!

'Cause friends leave as time fades away
The people and the places along the way
Without a doubt
Yeah screws fall in and screws they fall out

Friends leave as time fades away
The people and the places along the way
So don't hold onto your past
No, it's never coming back
You've gotta let it go!

('Cause friends leave as time fades away)
(The people and the places along the way)Gotta let it go!
(Without a doubt)
(Yeah screws fall in and screws fall out)
'Cause friends leave as time fades away
The people and the places along the way
Without a doubt
Yeah screws fall in and screws fall out

Sexta-feira, Outubro 03, 2008

A volta dos Grandes Épicos – Projeto Verão 2009: Por um Carnaval Muuuuuuuuito mais Marrento.

Um dos meus grandes objetivos na vida é alcançar o equilíbrio.
Manter o corpo, a mente e o espírito em ordem, alcançando o máximo das minhas potencialidades.

Infelizmente, alcançar o máximo de suas potencialidades não é fácil.

Eu adoraria dizer que isso é algo bom, porque nos dá espaço para melhorar e que se não fosse isso nossa vida seria um tédio. Mas falar isso é papo de pobre que diz que é bom não ter dinheiro porque você dá valor. Fuck that shit.

A busca do equilíbrio é, para mim, um grande desafio (talvez por incompetência minha, talvez porque o seja pra todo mundo) porque eu tenho que lidar com o tempo limitado: eu posso ir pra academia, posso ler, posso buscar a evolução espiritual, mas eu não consigo ler na academia enquanto busco a evolução espiritual.

Normalmente as coisas funcionam num sistema de ciclos: por um tempo vc está no top da forma física, depois você. Você está no topo do preparo intelectual, depois não. E por aí vai.

Obviamente, o trabalho que você despendeu não é perdido: você mantém alguns dos ganhos obtidos e, futuramente, quando você retomar a dedicação a essa área específica da sua vida, você recupera “a velha forma” bem rápido.

Mas em geral, a busca de um ideal de perfeição implica no abandono de outro.

Por um tempo eu fiquei pensando em como é triste estarmos fadados à mediocridade: ou você escolhe um aspecto pra ficar BOM, ou você fica mediano em todos, pois atingir a excelência em todos é uma tarefa quase impossível.

Tal perspectiva me deixava extremamente irritado: por que eu deveria me contentar com ser a metade do que posso em, ao menos, uma área da minha vida?

Ante tal frustração tomei a única providência razoável: fui pra academia bater em pessoas.
Enquanto causava dor e sofrimento, tive uma epifania: e se o equilíbrio não for uma situação estática? E se o equilíbrio entre corpo, mente e espírito não for uma questão de estar com os três a cem por cento, mas sim alternar, de forma cíclica a maestria?

Como tal forma de pensar é muito mais agradável, decidi mudar minha opinião e retomar os ciclos de grandes projetos épicos da Anarcoplayba S/A.

Fica aqui lançado o Projeto Verão 2009: Por um Carnaval Muuuuuuuiito mais Marrento, que consiste, basicamente, na reedição do “Projeto Um Só Coração: Puro Músculo, Cheio de Sangue e Batendo sem Parar”: de volta pra academia, de volta pros treinos, de volta pra efedrina, porque um soco e um abdômen tanquinho dizem mais que mil palavras.

Domingo, Setembro 21, 2008

E Para o post nº 500...

Eu ia publicar o que eu publiquei no anarcoblog (é o que eu tenho feito em média, exceto quando o texto escapa do escopo do malandricus), mas acho que o post 500 do malandricus Bar & Vodka merece algo melhor.

A Malandricagem está em crise.

Sim, o post número 500 deveria ser sobre mais uma crise da Malandricagem, mas cansou.
Durante anos os Malandricus se reuniam para, num coletivo, vencer o mundo. Deixa Deus vir pra cima da gente, um tackleia, o outro limpa a bola e um terceiro parte pro try.

Ah, pra quem tá assistindo o jogo, o cara que fez o try é quem levou as glórias.

Mas nós sempre soubemos que, nos vestiários, uns parabenizavam os outros e agradeciam.

E o que mudou?

Ah, começamos a jogar menos... outros jogavam em outros clubes também... De repente, quem fazia o try esquecia de quem deu o tackle, ou falava ainda que o tackle foi alto e que a bola saiu melada, que o apoio demorou...

A gente joga como a gente treina. A gente luta como a gente treina.

Eu sei que todo mundo é sozinho (e ai de quem pensar que não). Sei que nós estamos sempre disponíveis aos outros, mesmo que ausentes.

É tipo o Batman do Adam West, saca? A gente fica na mansão, mas se o telefone vermelho tocar, a gente coloca as chuteiras e parte pro jogo.

O problema é que a gente joga como a gente treina. Se a gente treina mal, a gente joga mal.
Se a gente não treina, a gente não joga.

E sim, eu estou falando isso como uma crítica reservada a todos e como uma crítica não reservada a mim mesmo (afinal, vocês esquecem meus erros, ou não se lembram de todos... eu não).

O post 500 serve pra declarar abertamente um fato, que, pra mim, está no cerne da Malandricagem: Estou insatisfeito.

Meus 25 anos chegaram e eu não estou como eu gostaria. Engordei, não tenho meu AP, não tenho minha faixa preta, não me tornei tudo o que eu queria. Estou no meio de uma estrada cujo objetivo está a uma longa distância e é nitidamente visível, embora quase fora de alcance.

E o quase é o que nos mata.

Eu gostaria aqui de emitir um call to arms. Um gigantesco brado de revolta. Um desejo de colocar fogo no circo, só pra ver o mundo queimar.

Mas não sei se tenho ainda a autoridade para tal e confesso que se as coisas se resolvessem com um call to arms, nossa vida seria muito mais simples.

Ademais, não quero correr o risco de ver o call to arms ser abortado (fora que tenho um compromisso indeclinável esse sábado).

Porém, eu gostaria de falar aqui, torcendo para que os outros Malandricus ainda freqüentem esse bar, que estou disposto a aplicar meus melhores esforços para me tornar o ser humano que eu tenciono ser.

E o ser humano que eu tenciono ser tem amigos como vocês.

Sexta-feira, Setembro 19, 2008

Ranting.

Porque tem dias em que tudo o que você quer é falar mal.

Ok, eu admito que eu dirijo mal. Na verdade, é pior do que dirigir mal, eu sou imprudente. Eu gosto de assumir pequenos riscos. O tempo todo. Inclusive no trânsito.

E quando eu falo riscos, eu não estou falando de coisas possíveis para pessoas com enorme grau de habilidade e das quais eu sei ser capaz. Estou falando de coisas que eu não sei ser capaz.

Mas, ainda que eu seja imprudente, eu odeio meia roda.

Sabe aquele cara que pega duas faixas na rua? Que tem medo de aproveitar o espaço? Que tem medinho de ser assaltado em plena Avenida Paulista e fica a 15 metros de distância do carro da frente em todos os sinais?

Então, isso me irrita. Muito.

Trânsito é uma palavra auto-explicativa: Você quer sair de um lugar e chegar a outro. Quanto menor o tempo, melhor o trânsito. Então o senhor quer, por favor, aproveitar todos os CENTÍMETROS de trânsito que você tem?

"Ah, mas Que diferença faz se você chegar dois ou três minutos adiantado?"

A diferença é que a gente está falando de um sistema lógico com milhares (senão milhões de carros) As ruas médias foram feitas pra que três carros andem nelas lado a lado. Se você não usa uma faixa você simplesmente cria um estrangulamento de trânsito que, somado oas outros 48 meias-rodas atrás de você vai foder a vida de alguém.

Por isso que eu falo que uma solução pro mundo seria o retorno dos duelos até a morte (ou até um espancamento muito doloroso e vexatório, pelo menos). Se você corresse o risco de ser intensamente espancado você ia prestar muito mais atenção no que você faz.

Ô se ia.

Uma outra coisa que tem me incomodado muito ultimamente são pessoas. Algumas pessoas com as quais convivo.

Sabe, ultimamente eu venho fazendo as pazes com conceitos místico-religiosos.

Mérito da Pró-Vida.

Uma das coisas que eu aprendi (falo na primeira pessoa do singular porque são ensinamentos não codificados, conclusões às quais eu chego por vias difusas) é o conceito de "escapar pela tangente".

Vivemos para aprender. Todas as situações pelas quais passamos têm alguma coisa pra ensinar. Cabe a nós enxergar nossos erros, aprender, nos perdoar e seguir em frente.

E não, isso não é um processo fácil. Pessoalmente eu tenho MUITA dificuldade no "nos perdoar". E todo o resto também é importante: se falta UM desses elementos, o processo foi abortado. Enxergar os erros, aprender, perdoar e seguir em frente.

O problema é que se você não aprende você está condenado a repetir os mesmos erros, num círculo vicioso. Rodando em círculo cada vez mais rápido, sem ouvir o que está acontecendo ao seu redor, até o dia do Juízo Final, como se precisássemos que Jesus Cristo descesse na nossa frente pra apontar nossos erros.

Não, isso não é nada que tenham me falado. É uma do "The Second Coming" do Yeats:

The Second Coming

Turning and turning in the widening gyreThe falcon cannot hear the falconer;Things fall apart; the centre cannot hold;Mere anarchy is loosed upon the world,The blood-dimmed tide is loosed, and everywhereThe ceremony of innocence is drowned;The best lack all conviction, while the worstAre full of passionate intensity.
Surely some revelation is at hand;Surely the Second Coming is at hand.The Second Coming! Hardly are those words outWhen a vast image out of Spiritus MundiTroubles my sight: somewhere in sands of the desertA shape with lion body and the head of a man,A gaze blank and pitiless as the sun,Is moving its slow thighs, while all about itReel shadows of the indignant desert birds.The darkness drops again; but now I knowThat twenty centuries of stony sleepWere vexed to nightmare by a rocking cradle,And what rough beast, its hour come round at last,Slouches towards Bethlehem to be born?

E, bem... se você fosse condenado apenas e ficar vivendo um dia após o outro no seu inferno particular (lembram-se onde é o Inferno?), estaria tudo bem... o problema é que a história não se repete, a história rima: Os círculos ficam cada vez maiores e mais doloridos.

É como se a Vida (sim, com letra maiúscula mesmo) tivesse um sistema de incentivo: ela vai piorando as lições até você conseguir velocidade o suficiente pra vencer a força centrípeta do círculo vicioso e escapar pela tangente.

É uma visão de mundo um tanto quanto cruel porque coloca você como responsável por tudo o que acontece. Inclusive pelo Azar (letra maiúscula de novo). Mas o Malandricus Bar & Vodka já discutia isso antes.

Aprender isso te diferencia do resto da humanidade. Todos são marionetes de suas próprias vontades, agindo ignorantes de quem controla as cordinhas.

Quando você percebe isso você vê as cordinhas.

Sim, exato, só isso. Você continua sendo uma marionete, mas não tem mais o benefício da ignorância. Ou talvez tenha, se você fechar os olhos bem forte e começar a cantar lalalalalalalalala.

O legal de ver isso é que sua vida melhora. O ruim é que você sente uma vontade irrefreável de evangelizar o mundo (embora o conceito de você ser responsável pela sua vida não ser exatamente uma "Boa Nova").

Então, estou com um sério problema de paciência.

Não tenho saco de discutir e tentar demonstrar minhas teses.

"Ah, na minha opinião, isso aconteceu porque X".
"Ah, isso não tem nada a ver."
"Por que não?"
"Porque não. Você não sabe do que está falando."
"Por quê não sei?"
"Porque não."

Anos atrás eu insistiria: Por que não? Por que você não quer conversar? Por que você não quer discutir? Do que você está fugindo?

Hoje eu respondo:
"É, tem razão. Não sei mesmo. Desencana."

É. Eu desisti de tentar ajudar os outros. Eu não sou bom nisso. Me resigno à minha incompetência. Não rola.

É frustrante enxergar claramente um padrão e não poder fazer nada pra mudá-lo. Então, desisti.

Tipo: eu venho me redescobrindo recentemente. Re-conhecendo talvez seja o termo correto. E, de fato, eu sou um cara muito bom pra perceber. Eu realmente sei enxergar falhas. Eu sinto os erros. Essa é minha maior qualidade.

Uma nota, maestro: Percepção.

Acho que é mal de Virginiano.

O problema é que eu vejo as falhas, mas não consigo consertar. Se eu quiser, até consigo destruir, mas consertar? Sou uma negação, um zero à esquerda no campo do divisor: em se tratando de consertos, sou uma coisa ruim que tende ao infinito.

Então eu decidi desencanar de consertar coisas. Vou fazer só o que eu faço bem. Caosar.

I'm an agent of Caos.